Cosmonauta Mosaicos instala terceiro mural da série Abya Yala

| 23/08/2021

Os segredos da tecelagem dos povos andinos são passados de geração em geração por meio do entrelaço de cores e linhas. Nascido das mãos ágeis e calorosas das mulheres Quechua, a tradição que mantém a identidade cultural desse povo viva é retratada no novo mural da série Abya Yala, do Ateliê Cosmonauta Mosaicos, instalado no último domingo (22) na Travessa do Liceu.
Os conhecimentos ancestrais, imortalizados na história e na memória dessa comunidade preservam e colorem a cultura desse povo. Compartilhados por meio das mais variadas técnicas e atividades, como o cuidado dos rebanhos de lhamas, ovelhas e principalmente as alpacas, o tear aparece então como o arremate das centenas de anos de transmissão de conhecimento.
Aos quatro mil metros de altitude, os saberes não se encontram escritos ou nem sequer rabiscados em papel, tudo faz parte do imaginário. Da história nasce a criatividade e dos elos se fortalece a tradição. Aos 12 anos, a tecelã América Huamaní conta que a mãe a ensinou a tecer em meio as tarefas diárias e que também vai passar a herança para frente: “Vamos ensinar a nossos filhos para que aprendam a tecer, como nos ensinaram nossas avós, minha mãe...e nossos filhos vão ensinar a seus filhos e assim vai seguir, não vai se perder”.  A dupla contou que teve contato com as tecelãs de Acchahuata (Distrito de Lares, Cusco) por meio do Pallay Cusco - empreendimento de moda sustentável - que fez a ponte entre a comunidade e os artistas.
A relação dos Quechua com a natureza é a responsável pela diversidade de cores, formas e técnicas impressas no tear. É assim que eles contam a própria existência, lendas e crenças. Da mesma forma que a comunidade andina mantém a cultura viva e pulsante, o Cosmonauta Mosaicos tece mais uma parte de sua história.
Texto: Pedro Dias | Fotos: Divulgação

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