Maré boa na Prainha: mesmo na Pandemia, Largo se renova

| 29/07/2021

Em meio a um cenário inconsistente e de fechamento geral, ele abre. Aos pés do Morro da Conceição e ao lado da Pedra do Sal um velho conhecido da região inaugura mais um empreendimento, um bar dedicado ao velho e bom churrasquinho de esquina. De quebra, ainda prepara o lançamento de um terceiro com o foco em frutos do mar.
Morador e fascinado pelo Morro da Conceição desde 2008, Raphael Vidal relembra o momento em que se apaixonou pelo lugar: “Eu conheci o Morro da Conceição numa visita à Pedra do Sal com um grupo de amigos. Fiquei louco por esse local, mudou minha vida, o que eu encontrei aqui no Morro da Conceição foi subúrbio”. Segundo ele, a noção de vizinhança e cordialidade foi o grande estopim da criação desses empreendimentos.
A casa porto nasceu em outubro de 2013 como um espaço cultural localizado em um sobrado do Largo de São Francisco da Prainha. Foi morada artística, literária e musical da região durante um bom tempo. Em 2018 viveu seus dias mais difíceis e precisou encontrar nas dificuldades, a reinvenção: perpetuar a cultura do subúrbio carioca por meio de um bar. Em 2020, na contramão da pandemia, o produtor cultural consegue virar o jogo.
“Um vizinho meu comenta comigo, eu tenho um bar no Largo da Prainha e to passando o ponto”, conta. Vidal diz que pensou em negar a proposta: “Eu não tenho grana pra abrir bar agora, imagina”.
Abriu. com mesas ao ar livre, churrasqueira, balcão de açougue e cerveja gelada, o local traz de volta a memória afetiva da infância e adolescência. “O Bafo da Prainha é uma homenagem a onde vivi durante boa parte da vida e ao meu pai também”, sintetiza Raphael. Além dos espetinhos, o cardápio também investe em outros pratos clássicos como o “sacanagem” - famoso palito com azeitona -, ovo de codorna e tomate, pão de alho e macarronese.
Raphael Vidal, produtor cultural e criador da Casa Porto sempre se considerou um cara festeiro, rueiro, carioca. “Eu sempre fui conhecido na área como bebedor, comedor, eu sempre fazia comida aos domingos para alguns amigos no Morro da Conceição, a gente se juntava e eu fazia um angu à baiana, mocotó, rabada e depois sempre virava um samba, minha casa era do lado de um botequim, era com a porta pra rua”, relembra Vidal. Segundo o fundador, a grande ideia para atravessar esse momento era a cozinha de memória afetiva.
Driblando as circunstâncias e escrevendo mais uma história bonita, o eterno suburbano traz nova esperança ao Largo da Prainha. Adentrando a pandemia com um estabelecimento e saindo com dois, Raphael Vidal se consagra como um grande querido da região.

Texto: Pedro Dias | Fotos: Pedro Dias

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