Cores do Porto: a figura por trás da The Week

| 18/06/2021

Era madrugada do dia 28 de junho de 1969. Judy Garland tocava ao fundo, luzes neon piscavam, pessoas conversavam e se tinha amor, o mais puro amor. Até os anos 1960, em Nova Iorque, Estados Unidos, a união entre pessoas do mesmo sexo era considerada ilegal. Bares e boates eram uma espécie de refúgio para essa comunidade, já que nesses lugares era possível se manifestar e expressar livremente.
Após duas batidas policiais, em um curto espaço de tempo, mais uma começava. Alegando venda ilegal de bebidas, uma violenta ação policial acontecia. Os próximos minutos dessa história são conhecidos como a rebelião de Stonewall. Depois desse acontecimento, várias manifestações aconteceram pela cidade. De acordo com relatos, a comunidade estava cansada de tanta perseguição e discriminação, era uma luta pela vida.
Aqui no Brasil, pouco tempo depois, nasce um jornal chamado “Chanacomchana”. O boletim era vendido no Ferro´s Bar, famoso estabelecimento frequentado por lésbicas na cidade de São Paulo. Sua comercialização era proibida. Com apoio da comunidade, um ato político é iniciado e a proibição do jornal é revogada. Olhar para a história, mesmo que recente, é a melhor maneira de entender e mensurar a necessidade das lutas que ainda são e se fazem necessárias. Pertencimento é a chave. E foi com essa necessidade que a The Week Rio nasceu.

No dia 07 de julho de 2007 era inaugurado na região portuária do Rio de Janeiro, um clube com noites fixas, que buscava acolher semanalmente a comunidade LGBTQIA+ da cidade. Segundo André Almada, empresário e Co-fundador do Grupo, a equipe buscava um lugar onde todos pudessem ser livres e conviver sem nenhum tipo de preconceito. “O Porto tinha todas essas características e acredito que do nosso modo contribuímos para ser também um lugar com vida, com calor humano”, destaca.
Ao longo dos mais de dez anos de história na cidade, a The Week Rio viu o Porto Maravilha engatinhar. A economia local cresceu, empreendimentos foram construídos e até a balada ganhou um espaço novo. André conta que no inicio não tinha muita noção do caminho, tinha muitos sonhos e anseios. Apesar do desafio, ele se considera parte de um movimento maior. “É como um filho que a gente vê nascer, crescer e tem orgulho do que ele se transformou. É uma relação de orgulho, simbólico, não?", comenta André.

Em tempos normais, junho era o mês em que avenidas ficavam coloridas e o clube ganhava uma agenda especial. Pelo segundo ano consecutivo, por conta da pandemia de Covid-19, eventos foram adiados e outros acontecem de maneira virtual, como a Parada LGBTQIA+. “Assim como todo o mercado de entretenimento, os próximos passos serão acompanhar as novas diretrizes sanitárias e regras de segurança. É o que podemos e devemos fazer”, lamenta Almada.
Além de aproveitar e celebrar esses eventos de maneira remota, junho pode ser uma oportunidade de entender um pouco mais sobre as lutas e histórias dessas pessoas. É um mês em que a comunidade reafirma a existência na sociedade, que historicamente inviabilizou a diversidade, as narrativas e a cultura desse grupo. Se antes, viver no escuro era uma forma de proteção, depois de junho de 1969 brilhar era a melhor defesa. Assim como o Porto Maravilha e a The Week fizeram, trazendo novas cores para a região.

Texto: Pedro Dias | Fotos: Divulgação

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