Murais do Abya Yala: segundo painel retrata povo nativo do Brasil

| 15/06/2021

Desde março deste ano o ateliê Cosmonauta Mosaicos é coração do projeto de renovação urbana Abya Yala - um diferente olhar sobre o mundo traduzido em um mural. É um encontro de diferentes visões em torno de uma ideia comum: a manutenção da diversidade. No segundo painel do projeto que homenageia os povos originários da América Latina, a dupla de artistas John Souza e Natalia Reyes conta um pouco da história do povo Ofaye, o povo do mel, com raízes seculares no Centro-Oeste do Brasil.

No novo mural, a dupla vai retratar um antigo conto Ofaye que destaca a importância do mel em sua dieta e cultura. Além disso, a nova peça busca mostrar a relação desses povos com os animais e a natureza. Segundo Natalia, o contato com alguém que faça parte daquele povo, que vivencie aquela cultura é essencial. “Nossa ideia é sempre entrar em contato com alguém do meio, assim a gente consegue uma conexão mais familiar, mais próxima. Dessa vez, nós entramos em contato com o Cacique Marcelo Ofaye, queríamos que esse trabalho refletisse a cultura daquele povo. É muito significativo, pois ele acabou somando muito na criação”, lembra.
Os Ofaye foram perseguidos e dizimados ao longo da história. O massacre foi tão expressivo que no início deste século muitos pensavam que o povo havia desaparecido. Foram anos de luta, que a história não contou. Uma vivência praticamente invisível aos olhos, sem retrato. Ontem, dia 15 de junho de 2021, na Travessa do Liceu, essa trajetória ganhou mais vida, mais voz. Frequentadores do entorno da Praça Mauá podem conhecer a história de perseverança deste povo nativo do nosso país, agora gravada em mosaico nos muros do Porto Maravilha.


Em vídeo enviado aos artistas do Cosmonauta Mosaicos durante o processo de criação, o cacique Marcelo Ofaye relata um pouco da resiliência destes brasileiros originais. “O povo Ofaye luta e renasce das cinzas. Estamos aqui hoje, na nossa aldeia, para dizer que o povo do mel ainda resiste. Somos a menor etnia do estado do Mato Grosso do Sul e a única do Brasil e do mundo. Nós temos lutado e resistido aos ataques, sempre para preservar a nossa etnia”, relata direto da aldeia Anodi, no município de Brasilândia, Mato Grosso do Sul.
O caminho é marcado por perseguições, sofrimento e luta. Hoje o cenário desse povo dizimado no passado e considerado extinto em certo ponto é de renascimento. Ainda que seja um grupo pequeno, suas raízes ganham força pelo que representam: o resgate da cultura e das tradições. E é a partir desse conceito que os artistas buscam retratar essa história.
Texto: Pedro Dias | Fotos: Divulgação

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