Novo presidente da Cdurp é velho conhecido do Porto Maravilha

Obras, Mobilidade, Social, Cultural | 28/01/2021

Há quase um mês a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa pública gestora da Operação Urbana Consorciada (OUC) do Porto Maravilha está sob novo comando. Gustavo Guerrante não parte do zero: conhece a operação, tem longa experiência em administração pública e é especialista em concessões e Parcerias Público-Privadas (PPP), temas sob os quais se debruçou por pouco mais de seis anos entre 2009 e 2016, quando saiu da Prefeitura do Rio. Era o subsecretário de projetos estruturantes da antiga Secretaria de Concessões e Parcerias Público-Privadas (Secpar) a qual, entre outras coisas, era vinculada a Cdurp.
Nascido e criado em Santa Teresa, o engenheiro mestre em Administração pela COPPEAD/Ufrj volta agora à Região Portuária (a Secpar ocupou até 2016 o mesmo prédio da Cdurp na Saúde) com a missão de alavancar o porto e atrair os investimentos que a operação precisa. Tem um carinho especial pelo porto, especialmente o VLT – PPP em que trabalhou do início ao fim e hoje vê orgulhoso desfilar pelo centro e Região Portuária do Rio.

Além do VLT, que considera a jóia da operação, destaca também a robusta infraestrutura já estabelecida nos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo. “O porto é fantástico. Um lugar que tem a infraestrutura que esta região tem é invejável. Normalmente chega-se a demanda para depois fazer a infra que suporte. Aqui não, a infra tá pronta para comportar uma demanda que eu tenho certeza que virá. E vamos trabalhar para isso”, projeta e aposta na ocupação em médio e logo prazos por edifícios residenciais: “Se há um lugar prático para se morar, viver e trabalhar é aqui”.
Relembrando as grandes intervenções do Porto Maravilha, compara com a troca de uma turbina com o avião em movimento. Turbinas de avião, aliás, estiveram presente desde o início da carreira quando era engenheiro da Varig trabalhando na manutenção de aeronaves. Passou pela Embraer na sequência e foi cursar mestrado em administração pensando em entrar para o mercado privado. Acabou sendo convidado para o que, segundo ele, foi a experiência mais enriquecedora da carreira: a Prefeitura do Rio. Foi também a mais desgastante, cheio de entregas a fazer com prazos a cumprir para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.
Passou pelo BNDES onde assessorava a então presidente Maria Silvia Marques na carteira de PPPs do banco e depois rodou o Brasil como consultor de concessões e PPPs para cidades e empresas com projetos em diversos estados do país. Entre março de 2018 e dezembro de 2020 foi Diretor de Negócios da América Latina na empresa chinesa BYD de veículos elétricos – carros, ônibus e veículos sobre trilhos. Lá, trabalhou novamente com Eduardo Paes à época Presidente da empresa na América Latina.


Veículo da BYD em Shenzhen, na China, similar ao que será implementado em Salvador
Chegou para fazer o plano econômico de implantação do monotrilho ligando o centro de Salvador à região metropolitana. Trabalhou na entrega de centenas de ônibus elétricos para as cidades de Medellín e Bogotá, na Colômbia, e na implantação de sistema de BRT com articulados elétricos em São José dos Campos, interior de São Paulo. Apesar de estar confortável no mercado privado e da surpresa pelo convite do prefeito eleito em dezembro do ano passado para assumir a Cdurp, Guerrante topou o desafio de retornar ao município e focar na retomada do Porto Maravilha.
E não teve que decidir sozinho. Três opiniões contaram muito: o pai é fã da operação urbana e até ponderou sobre a boa posição que ocupava na BYD, mas acabou votando a favor; a mãe apostou no conhecimento do filho, votou sem pensar pela mudança do Privado para o público – segundo ela “o filho gosta disso”; e a mulher, que antes não era tão fã assim da volta do marido à vida pública - mais trabalhosa e estressante -, topou pelo mesmo motivo da sogra.
Apenas 600 metros separam o prédio da Cdurp e o escritório da BYD no Rio, no edifício RB1, na Praça Mauá. Da janela antiga, via o porto revitalizado lá embaixo. E não abria mão do prazer de pegar o VLT para almoçar em outras partes do Centro, sempre mantendo a ligação com a operação urbana que ajudou a botar de pé.

Texto: Bruno Bartholini | Fotos: Bruno Bartholini e Divulgação