Sarau Elucida homenageia e discute textos de escritoras negras

Social, Cultural | 24/06/2020


Teresa Cárdenas, Conceição Evaristo, Elisa Lucinda, Livia Prado, Elaine Marcelina e Taís Espírito Santo são as homenageadas da edição

A Cena Portuária Produções lança a primeira edição do Sarau Elucida durante a pandemia, em versão online. A partir do dia 3 de julho, durante cinco semanas, às sextas-feiras à noite, as lives no Instagram @sarauelucida apresentam performances de atores negros sobre trabalhos de escritoras negras.

Textos de Conceição Evaristo, Elaine Marcelina, Teresa Cárdenas, Taís Espírito Santo, Livia Prado e Elisa Lucinda são base para as cenas que serão publicadas às 19h na página do sarau. Em seguida, haverá bate papo em formato de live com a autora da obra e uma convidada, com mediação de Sol Miranda, atriz e produtora, formada em Letras pela Universidade Veiga de Almeida e cofundadora do Grupo Emú e da Segunda Black. Ao fim, o público poderá participar declamando poemas próprios.
Thiago Viana, diretor da Cena Portuária Produções e coordenador de produção do Sarau Elucida, explica que o evento defende o posicionamento das mulheres pela igualdade de gênero e o basta na violência física e psicológica que aumentaram abruptamente durante a quarentena. "É a hora de nós homens aceitarmos que o machismo patriarcal dificulta as nossas relações. Vamos fomentar o diálogo com outros homens sobre a masculinidade tóxica a partir dos atores que interpretaram os textos. Queremos intensificar a discussão nas redes sobre o assunto”, acrescenta.
O projeto firmou parceria com o Coletivo de Mulheres Poetas, a Coordenadoria de Políticas e Direitos das Mulheres (Codim), a Coordenação Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Ceppir) de Niterói e a Ong Promundo, de promoção da equidade de gênero. Pretende dar visibilidade a canais de saúde psicológica para mulheres em situação traumas conjugais e aos canais de denúncia para mulheres em situação vulnerável, além de promover campanha de arrecadação para as instituições Projeto Negras Potente e Associação  da Vila Mimosa.

Coordenadora do sarau, Larissa S. da Conceição explica que a pesquisa e elaboração do projeto buscou reunir assuntos urgentes e densos, tendo como porta-voz a arte: “Acredito muito que o sarau se une a outras iniciativas em andamento, cada uma a sua maneira. Hoje a luta está centrada na mudança urgente nas estruturas de opressão”.

Campanha de financiamento coletivo

O Instituto Black Bom, a Cena Portuária e o Sarau Elucida se mobilizam para a arrecadação em prol de dois coletivos de mulheres em situação de vulnerabilidade: Associação da Vila Mimosa e Coletivo de Negras Potentes. A contribuição, a partir de R$ 20, também permitirá a confecção de 500 livros "Elucida contra o feminicídio", que serão doados a escolas da rede pública. Acesse o site da benfeitoria.

PROGRAMAÇÃO

19h – Performance do texto
21h – Bate papo com autora e convidado
22h – Live aberta ao público
*No dia 17 haverá duas edições, a primeira começando às 16h
3 DE JULHO

O texto Isaltina Campo Belo, de Conceição Evaristo, será encenado por Wilson Rabelo. Após a leitura, Conceição Evaristo conversa com Danielle Silva.
Conceição Evaristo é mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, e uma das mais renomadas escritoras brasileiras, reconhecida nacional e internacionalmente.
O conto Isaltina Campo Belo servirá de base para a discussão do tema “Violências e interseccionalidades: as travessias da mulher negra escrita em gênero, raça e orientação sexual”.
Wilson Rabelo iniciou seus estudos em Belo Horizonte. Como autodidata, transitou por diferentes correntes de teatro e diretores das décadas de 1980 a atualidade. Dentre os trabalhos estão “Bacurau” (Kleber Mendonça Filho, 2019) no cinema, e “Besouro Cordão de Ouro” (Paulo César Pinheiro, 2006) no teatro.
Danielle da Silva é formada em Letras Português e Literaturas pela Universidade Estácio de Sá, especialista em Educação Básica e Língua Portuguesa pela UERJ/FFP.


10 DE JULHO

Jurada de morte, de Elaine Marcelina, será interpretado por Beto Pacheco. Elaine conversa com Débora Moreno de Souza após a performance.

Elaine Marcelina é escritora, roteirista e dramaturga, além de graduada e mestre em História. Colunista do site Pauta Rio, ministra a oficina de escrita criativa “Meu Primeiro Livro” e faz parte do grupo de pesquisa Áfricas UERJ/UFRJ!

O texto Jurada de morte será base para discussão do artigo 5º da Constituição Brasileira. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza? Todos quem?”
Beto Pacheco formou-se bailarino em São Paulo no Teatro Brasileiro de Dança (TBD). Formou-se também na Escola de Artes Dramáticas Emilio Fontana e estudou Arte Educação na Universidade São Judas Tadeu.

Débora Moreno de Souza é poeta, artesã, contadora de história e palestrante. Criada na Comunidade Morro do Estado é conhecida como “A escritora das latas", por ter confeccionado uma capa de latinhas de alumínio, vestimenta oficial nas suas apresentações.


17 DE JULHO
No dia 17 de julho haverá, excepcionalmente, mais de uma live.
16H| Publicação do vídeo Cena/Performance
Sarau Elucida 18H| Live com autora Teresa Cárdenas

Mulher preta falando com Deus, texto de Teresa Cárdenas, será apresentado por Carlos Maia. Após a leitura, Teresa conversa com Priscila Caprice.

Teresa Cárdenas é cubana, escritora, roteirista, atriz, bailarina, ativista social e membro da Associação de Escritores da União de Escritores e Artistas de Cuba.

O texto Mulher preta falando com Deus será base para a discussão sobre Fé e Espiritualidade.

Carlos Maia é ator e jornalista. Entrou no mundo das artes em 2001, por meio do curso de teatro do Centro de Identificação e Documentação do Artista Negro (CIDAN) da atriz Zezé Motta.

Priscila Caprice é autora do livro “Contos da Dona Noite”, administradora do blog de contos “O mundo de Évora” e apresentadora do canal “Contos da Dona Noite”, de contação de histórias.


17 DE JULHO

Quando eu parei de mandar beijo, de Taís Espírito Santo, será encenado por Lucas Sampaio. Após a apresentação, Thais conversa com Lia Vieira.

Taís Espírito Santo é escritora, assessora literária e gestora cultural. Cofundadora da Orùn Aiyè Produções, destinada a artistas pretos, atua como coordenadora de cultura das Josefinas Colab, startup e coletivo de mulheres empreendedoras.

O texto Quando eu parei de mandar beijo permeia a discussão do tema “Corpos de mulheres negras: traços, marcas, gestos, invisibilidades, potências e resistências”.

Lucas Sampaio é ator e percussionista. Participou das Oficinas de teatro e vídeo do Coletivo Preto e também da ONG Ecoa de Teatro Social, com a montagem do espetáculo "Gameleira", indicado como Melhor Ator no 13° FENTA. É ator do espetáculo “Negra Palavra: Solano Trindade”, do Coletivo Preto e Companhia de Teatro Íntimo.

Lia Vieira é graduada em Economia, Turismo e Letras e doutoranda em Educação pela Universidade de La Habana (Cuba) /Universidade Estácio de Sá (RJ). Dirigente da Associação de Pesquisa da Cultura Afro-brasileira, militante do Movimento Negro e Movimento de Mulheres.


24 DE JULHO

Cadê ele?, texto de Lívia Prado, é lido por Reinaldo Junior. Após a cena, Lívia bate papo com Lucilaine Reis.

Lívia Prado ela é atriz, poeta, dramaturga, professora de teatro e performer.

O texto Cadê ele? inicia a discussão do tema “Genocídio da infância e da juventude negra: os filhos que nos tiraram”.

Reinaldo Junior é multiartista, produtor e curador. É curador do Teatro Chica Xavier. Participou dos projetos do Grupo Emú (2015), da Confraria do Impossível (2015), da Rádio Itinerante A VOZ da Senzala (2016) e da Segunda Black (2018).

Lucilaine Reis é pedagoga e mestre em Educação pela UFF. Também é poeta, membro do Coletivo de Mulheres Poetas de Niterói, escritora, compositora e saxofonista da Banda Prajna.


31 DE JULHO

Aviso da lua que menstrua, de Elisa Lucinda, será interpretado por Lucas Sampaio, Wilson Rabelo, Betto Pacheco, Reinaldo Junior e Carlos Maia, que participam das edições anteriores do Sarau Elucida. Após a interpretação coletiva, Elisa Lucinda conversa com Rosane Romão.

Elisa Lucinda é poetisa, jornalista ,escritora, cantora e atriz.

O texto Aviso da lua que menstrua é base para a discussão “Mulheres negras em fluxos”.

Rosane Romão é psicóloga, especialista em recursos humanos, mestra em administração, servidora aposentada da Universidade Federal Fluminense. Atuou como Consultora do SOS Racismo Brasil.