IPN comemora 15 anos e lança nova campanha

Social, Cultural | 13/05/2020

O Instituto Pretos Novos completa hoje 15 anos. A data escolhida, 13 de maio, marca a Libertação dos Escravos em 1888. Simbólica, pois a história do IPN começou, de verdade, em 1772, quando o Cemitério dos Pretos Novos, na Gamboa, tornou-se destino de grande parte dos africanos sequestrados e trazidos à força ao Brasil. Eles chegavam da travessia do Atlântico em condições de saúde péssimas e morriam antes de serem escravizados. Naquela época, até 1830, eram sepultados em condições degradantes.

A urbanização dos bairros da Saúde e da Gamboa encobriu a área do cemitério até que em 1996, ao comprar uma casa na Rua Pedro Ernesto 32 e iniciar uma reforma, os moradores Merced Guimarães e Petruccio encontraram o sítio arqueológico. Arqueólogos identificaram milhares de fragmentos de restos mortais de jovens, homens, mulheres e crianças, africanos recém-chegados.  O casal assumiu a responsabilidade de tocar o projeto e transformá-lo em centro cultural e de pesquisa para manter viva a memória da Diáspora Africana. O IPN mantém uma biblioteca temática, uma galeria de arte e oferece cursos, oficinas e Pós-Graduação relacionada ao tema.
Neste aniversário um pouco diferente durante a pandemia de Covid-19, a diretora e fundadora do instituto comemorou em vídeo o importante marco que o dia 13 de maio representa para a instituição e a história da cultura afro-brasileira. “Há 15 anos criamos uma instituição com objetivo de divulgar uma história que estava soterrada. Aos poucos descobrimos que nesta região estava o maior mercado de escravos do Brasil e talvez do mundo”, lembra Merced Guimarães.
Com as portas fechadas desde 13 de março no combate à Covid-19, a página do Facebook do instituto divulga vídeos de pesquisadores parceiros e Amigos do IPN para manter a programação online. Merced promete ainda divulgar nas próximas semanas calendário de lives nas redes sociais.

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) manteve convênio com o IPN por quatro anos com recursos do Porto Maravilha Cultural (que reserva 3% do valor dos Certificados de Potencial Adicional de Construção, que custeiam as obras e serviços do Porto Maravilha) até 2017. Hoje a companhia apoia o centro cultural com a cessão do auditório para os cursos de pós-graduação. “O IPN tem uma ligação muito forte com o Cais do Valongo, Patrimônio da Humanidade. A Cdurp reconhece a importância do IPN para a região e para a preservação da memória da Diáspora Negra e assim dá a sua contribuição. A descoberta do sítio arqueológico e a sua abertura ao público são importantes não só para estudos, mas também para a luta pela promoção da igualdade racial”, afirma Rilden Albuquerque, gerente de Desenvolvimento Econômico e Social da Cdurp.
Ajude o IPN
Único sítio arqueológico sob administração privada no Rio de Janeiro, o IPN sobrevive de doações e este ano lançou uma campanha que Merced deseja que viralize nas redes: “Nós fizemos uma camiseta do instituto. Artistas, jornalistas e pessoas ligadas à casa estão fazendo vídeos e postando para divulgar a camiseta. Quanto mais gente comprar, mais ajuda termos para manter a casa”, anima-se.
Para ajudar na manutenção do espaço, o IPN recebe doações pelo site e está entregando as tradicionais camisas vendidas no instituto. Os pedidos via WhatsApp no número 21 97015-3267 são enviados por correio no valor de R$ 26 para o estado do Rio de Janeiro e R$ 38 nos outros estados do país, já incluído o frete.
Durante a quarentena, o IPN está fechado a visitas. Mais informações pelo telefone (21) 2516-7089.

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