Novo presidente da Cdurp, Cesar Barbiero destaca-se por habilidade em gestão de crise

Obras, Mobilidade, Social, Cultural | 21/03/2020

Secretário Municipal de Fazenda do Rio assume comando da Cdurp, empresa da prefeitura responsável pelo Porto Maravilha


Foto: Paulo Sérgio/Prefeitura do Rio
No dia 15 de março, o prefeito Marcelo Crivella nomeou Cesar Augusto Barbiero presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp). A empresa responsável pelo Porto Maravilha vive hoje período de negociação com a Caixa Econômica Federal para retomada dos repasses financeiros do Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha (FIIPM), responsável pelo pagamento das obras e serviços nos 5 milhões de metros quadrados, e ganha o reforço com a chegada de Barbiero. Nome de peso da Prefeitura do Rio em momentos distintos da Secretaria de Fazenda, o técnico é o responsável pelo reequilíbrio das contas municipais na gestão Crivella desde maio de 2018. Formado em Direito e Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Barbiero iniciou carreira no serviço público federal, em 1976, na Força Aérea Brasileira. Há 44 anos se dedica à vida pública em diversos órgãos e chega à Cdurp com a missão de trazer investimentos, novos negócios, projetos residenciais e investimentos. Acumulando a presidência da companhia com a da Fomenta Rio, ele descreve seu perfil como “fora da curva” por assumir desafios e situações de crise. Em 1993, ingressou como Auditor Fiscal na Receita Federal. No órgão, foi delegado em Santa Maria, RS, e assumiu o cargo de superintendente da 7ª Região Fiscal (responsável pelos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo), que exerceu até 2008. Antes de assumir a Secretaria Municipal de Fazenda do Rio, na administração do prefeito Marcelo Crivella, já havia assessorado a pasta entre 2009 e 2012. Em 2013, foi secretário Municipal de Fazenda de Niterói, cargo ocupado por quatro anos. Antes de voltar para a Prefeitura do Rio em 2018, foi diretor de Selos e de Inovação e Mercado da Casa da Moeda do Brasil.
O senhor já era parte do Conselho de Fiscal da Cdurp. Como interpreta a sua “convocação” para a Presidência neste momento da companhia?
Foi uma convocação para assumir mais um desafio. Para entender, acho que a gente tem que voltar um pouquinho no tempo. Sempre fui um servidor público de carreira. Há 44 anos. Sempre militei na administração direta no comando de pessoas. Primeiro como militar e depois na Receita Federal. Trago como característica atuar como ponto fora da curva. Sempre assumo cargos quando existe algum desafio. Foi assim que eu vim para o Rio de Janeiro (o presidente da Cdurp é gaúcho) também, para a crise envolvendo servidores da Receita Federal. Assumi como Superintendente da Receita Federal em 2003...
À época dos escândalos da Receita Federal?
Sim... do Propinoduto. Sempre fui um cara muito duro. Muito legalista. E me chamaram para uma espécie de intervenção. Passei cinco anos. Aí cheguei à Prefeitura do Rio e fiquei entre 2009 e 2012 para o início do desafio das Olimpíadas. A gente tinha que dobrar o orçamento, que realmente dobrou, um trabalho que envolveu toda a prefeitura, mas capitaneado pela Secretaria Municipal de Fazenda. Ao encontrar Niterói quebrada, o prefeito eleito de Niterói em 2012 (Rodrigo Neves) começou a procurar um secretário de Fazenda para levantar a cidade. Fiquei lá até 2017, quando a Casa da Moeda perdeu 65% do faturamento. Então fui chamado para assumir a Diretoria de Selos. E depois a Diretoria de Inovação e Mercado. O desafio era colocar a Casa da Moeda superavitária. Implantei diversos projetos, mas fiquei somente um ano até o prefeito Marcelo Crivella me convidar para a Secretaria Municipal de Fazenda da Cidade do Rio de Janeiro. Montamos um plano de recuperação que ainda não acabou. Ele vai se aperfeiçoar agora em 2020. 
O ano em que estamos...
E aí, por que o prefeito me chamou para vir para cá (Cdurp)? Ele sabe que essa é a região com o maior potencial de investimento, e eu estava muito ligado a isso. Lá na Fazenda abrimos a Fomenta Rio, uma agência de fomento e desenvolvimento.  Também migrou para a Fazenda a Assessoria de Inovação e os projetos estratégicos do Município, a Subsecretaria Executiva (Subex). Sempre fui um secretário de vanguarda que procurou aumentar a arrecadação não somente cobrando impostos, mas sim promovendo o desenvolvimento econômico e social. Desenvolvimento significa emprego e, consequentemente, tributo, receita tributária. Estimulamos a geração de renda porque sabemos que a arrecadação sobe quando a economia vai bem, quando temos empregos e consumo andando juntos. Enfim, voltei a ser presidente de empresa... Na Cdurp, além de dar continuidade ao excelente trabalho de meus antecessores, vou continuar acumulando a função de presidente da Fomenta Rio e intensificar os projetos para esta região. Tudo aquilo que a gente já vinha trabalhando para o desenvolvimento do Município.
O Porto Maravilha é estratégico para o Município. Como área para investimento imobiliário, novos negócios, culturalmente e em termos de turismo...
Agora a gente vai concentrar esforços. Acabamos de mandar para a Casa Civil a Lei de Inovação e a Lei do Porto XXI. Significa que nesse espaço aqui o investimento será incentivado.
Em relação à Porto Novo, o senhor já pode fazer alguma previsão sobre a volta da prestação de serviços da concessionária?
Todas as minhas apostas enquanto secretário de Fazenda foram na securitização da Dívida Ativa (prefeitura antecipa recebimento de valores da dívida ativa via oferta de títulos dessa dívida ao mercado). Nós aprovamos a lei no fim de 2018. Passamos 2019 estruturando essa operação. Fizemos um pregão ano passado. Conseguimos aperfeiçoar em novembro, e em dezembro assinamos com a XP. Isso resolve não só a cidade. É lógico que ainda tem o problema da Caixa (Econômica Federal), a iliquidez do Fundo (de Investimento Imobiliário Porto Maravilha-FIIPM, constituído pelo FGTS, responsável pelo pagamento das obras e serviços do Porto Maravilha). O que podemos dizer é que se os recursos da securitização efetivamente ingressarem até o meio do ano, podemos retomar os contratos na sua plenitude.
Mas temos o efeito coronavírus...
O impacto do coronavírus sobre a prefeitura será muito ruim porque a arrecadação vai cair. E a despesa vai aumentar principalmente na área da saúde. Estamos falando em calamidade pública. O próprio Congresso já decretou calamidade pública nacional. Não é uma coisa local. Apesar disso, ainda é possível fechar essa operação, pois os recursos dos investidores estão disponíveis no mercado e não sofrem os efeitos dessa crise.
Em relação ao pequeno empreendedor, ao pequeno produtor cultural da Região Portuária, o senhor chega com novas ideias?
Muitas ideias. Nós temos o projeto Labgov aqui, que une Fazenda, Fomenta,Iplan e Cdurp para colocar 120 startups por ano lá. E podemos incentivar as cooperativas. A Cdurp tem uma Gerência de Desenvolvimento Econômico e Social. E uma de área de Investimentos. Isso é estratégico.
O que o senhor poderia descrever que já observava de fora e que agora tem a oportunidade de botar a mão na massa para fazer aqui?
A oportunidade de atrair investimentos. A primeira fase da Cdurp foi concentrada nas obras e na infraestrutura. Agora creio que o momento é o de fomentar o desenvolvimento econômico e social com ênfase na atração de investimentos. Temos projetos grandes para a região. Por exemplo, um que estamos chamando “Lajes sobre Trilhos”. Um investimento de readequação de área que vai da Central do Brasil ao Maracanã. É iniciativa da Prefeitura do Rio e pode envolver a Cdurp. Enfim, temos muito trabalho e estou muito motivado.

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