No comando da Igreja de Santo Cristo, Padre Benedito vê com esperança as ações do Porto Maravilha

Obras, Social | 08/01/2011

De uma graça alcançada, nasceu a capela Santo Cristo dos Milagres e, em torno dela, um dos bairros mais importantes da Região Portuária.

Não sobrou muita coisa do pequeno templo construído por portugueses em 1850, mas o bairro herdou o nome do padroeiro. A história dessa igreja começa quando os marinhos patrícios sobrevivem a um naufrágio na Ilha Terceira dos Açores e, na chegada ao Brasil, escolhem a área para construir a primeira igreja. Desde então, o bairro assistiu ao crescimento da atividade portuária e, depois, caiu no esquecimento com o abandono do Porto do Rio. Também sofreu com a escalada da violência e do preconceito na área. O padre José Benedito Reis, que há cinco anos administra a Igreja Santo Cristo dos Milagres, comenta a situação do bairro e fala das comemorações dos 110 anos da paróquia.

Como senhor chegou à Paróquia Santo Cristo dos Milagres?

Fiquei por 15 anos na Paróquia de São Judas, no Cosme Velho. Quando eu vim para esta igreja, a comunidade me recebeu muito bem. Foi uma mudança radical, porque são realidades totalmente antagônicas. É um bairro de portugueses, onde os moradores são muito religiosos e têm uma relação muito forte com a igreja.

Qual é o papel da paróquia dentro do bairro?

O bairro de Santo Cristo ficou marginalizado muitos anos, massacrado pelo preconceito e pela violência do Morro da Providência. Hoje, com a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), houve uma mudança, uma transformação. Então, estamos atuando juntos para mudar. Nossa prioridade é o trabalho de evangelização com catequese e missas dominicais e semanais. Mas a paróquia atua no trabalho social, com o Grupo Vicentino, atendendo 40 famílias carentes da região.

Além desse trabalho social, a paróquia planeja desenvolver mais projetos?

Queremos revitalizar nosso centro social e, para isso, precisamos reformar o prédio que temos ao lado do Supermercado Mundial. Ele está desativado porque precisa de obras. Estamos procurando parcerias para ajudar a recuperá-lo. Nosso objetivo é oferecer cursos profissionalizantes, ações sociais e culturais para os jovens da comunidade.

A paróquia comemora 110 anos como igreja matriz. Qual a expectativa da comunidade?

Estamos comemorando 110 anos e vivemos ainda e a expectativa da requalificação da região portuária com o projeto Porto Maravilha. Temos esperança com as mudanças que virão a partir das obras e da chegada dos novos serviços, depois de tantos anos. A festa ficou esquecida por um tempo. Mas, desde que cheguei, há cinco anos, ela é um sucesso. Aproveitamos para agradecer o que está acontecendo. Hoje, não faltam motivos para comemorar. Essa transformação é o espírito da comunidade. Nunca se viveu um momento de tanta expectativa.

Como a comunidade vê as obras do Porto Maravilha?

É uma dádiva de Deus para todos nós. Acreditamos que a partir desse momento essa região será transformada. Vemos que há uma preocupação para que área portuária tenha um aumento populacional e, para mim, esse é ponto mais positivo do Porto Maravilha. O nosso desejo é ver essa região desenvolvida socioeconomicamente. Acreditamos que muitas novidades ainda estão por vir.

01/08/2011

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