Samba e história andam juntos no Cordão do Prata Preta

Obras, Social | 11/01/2011

Nascido na Região Portuária do Rio de Janeiro, entre amigos, samba e muita diversão, o Cordão do Prata Preta, que completa 7 anos de folia no dia 15 de novembro, leva no nome uma homenagem a Horácio José da Silva, vulgo Prata Preta.

O maior homenageado do Cordão é um dos símbolos da luta da população carioca durante a Revolta da Vacina, que tentou impedir a obrigatoriedade da vacinação contra varíola, em um dos episódios mais conhecidos da história do Rio de Janeiro. Não é à toa que a data da fundação do bloco coincide com o centenário da Revolta. Hoje o Cordão do Prata Preta reúne no carnaval de 2.000 a 3.000 pessoas pelas ladeiras da Gamboa e da Saúde para relembrar a história da região e do Rio de Janeiro ao som de marchinhas clássicas.

O Cordão do Prata Preta desfila sempre aos sábados de carnaval e o número de foliões cresce a cada ano. Ayslan Loyola, um dos diretores do Cordão, conversou com o blog Porto Maravilha, falou sobre a comemoração de aniversário e adiantou novidades para o Carnaval do próximo ano.

O que o Prata Preta significa para a Região Portuária?

O Cordão do Prata Preta foi criado justamente para revitalizar o carnaval da região. Anteriormente, os moradores da Saúde e da Gamboa tinham que ir para outros bairros pular carnaval, pois ali no entorno não havia nenhum bloco ou cordão. E, coincidentemente, após um ano da criação do Cordão, outros blocos surgiram na região, como o "Pinto Sarado" e o "Escorrega mais não Cai". Eu acredito que o Cordão do Prata Preta foi o ponta pé inicial para a fundação e criação de novos blocos na Região Portuária.

Qual foi a motivação para criar o Cordão?

Criamos o Prata Preta justamente para levar o carnaval para a região que está há um bom tempo abandonada, inclusive, pelo samba. Carecíamos de blocos e nossa intenção, desde o início, foi revitalizar o carnaval na área. Um grupo de amigos se juntou em prol do samba e da história.

O que a figura do Prata Preta representa para o bloco?

Fundamos o Cordão em 2004, juntamente ano do centenário do Prata Preta. Resolvemos homenagear este personagem tão importante para a história do Rio de Janeiro. Inclusive, a criação do Cordão aconteceu na Rua Sacadura Cabral, local da resistência pacífica do Prata Preta durante a Revolta da Vacina. Para nós, ele é o "Zumbi da Saúde". Muitas pessoas não conhecem a importância dessa história e da figura do Prata Preta. Por isso temos a preocupação e o interesse em divulgar e relembrar esse fato para todos os cariocas.

Em sua opinião, é possível combinar carnaval com conscientização política?

Sim. Sempre buscamos usar fatos históricos do Estado e da Cidade do Rio de Janeiro como temas para o samba enredo do Prata Preta. Temos a preocupação de transmitir para os foliões os acontecimentos históricos que tiveram lugar na nossa cidade e, principalmente, na região portuária.

Como será a comemoração pelos sete anos do Bloco?

Esse ano vamos comemorar no Instituto Pretos Novos, que fica na Rua Pedro Ernesto, no sábado, dia 19 de novembro, às 15h. Estão todos convidados: teremos samba de raiz, chorinho e também os sambas-enredo do Cordão do Prata Preta.

O que os foliões podem esperar para o próximo carnaval?

Nossos sambas sempre têm um contexto histórico, como eu falei antes, e este ano preparamos uma sátira com a questão da profecia Maia, que prevê o fim do mundo para 2012. A camisa já está pronta e, por enquanto, o samba se chama "O Carnaval do fim do mundo". Promete!

01/11/2011

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