Hospital da Gamboa quer se tornar referência

Obras | 11/08/2011

Hospital da Gamboa no início do século XX

Nos idos de 1840, quando o Rio de Janeiro era uma cidade assolada por epidemias, como febre amarela, varíola e cólera, o médico Antônio José Peixoto fundou o Hospital da Gamboa, para prestar assistência a viajantes, marinheiros e escravos. Com as obras do Porto Maravilha, a diretoria acredita que a requalificação da região vai permitir a realização de antigos sonhos. Para conhecer mais o hospital, a equipe do Blog entrevistou Marcelo Lemgruber, chefe da Ginecologia e Mordomo (administrador) do Hospital da Gamboa.

Qual é o público atendido pelo hospital? Moradores da região ou de outros bairros?

Já recebíamos pacientes da Região Portuária. Fazemos parte da história do Cais do Porto. Com a chegada do Porto Maravilha, esperamos oferecer atendimento100% dedicado aos moradores. O Hospital da Gamboa não é público. Temos contrato com o Sistema Único de Saúde (SUS) para os que não podem pagar um plano, e é isso que nos mantém funcionando. Agora, com a revitalização, queremos fazer um mix de receita composto pelo nosso contrato com o SUS, pelos pacientes particulares e planos de saúde que atendemos. Assim, o atendimento gratuito ganha qualidade.

Quais são as especialidades do hospital?

Inicialmente, a especialidade que se destacava no hospital era a Ginecologia, não só pelo número de pacientes, mas também pelo fato de termos parcerias com faculdades. Assim, funcionávamos como hospital-escola. Desde 2004, começamos a chamar profissionais de renome em outras especialidades e a diversificar nosso campo de atuação. Atualmente, temos Oftalmologia, Dermatologia, Ortopedia e Ginecologia. Também estamos construindo os centros de Otorrinolaringologia e Urologia. Novo contrato com o município nos permite oferecer 1.000 mamografias por mês pelo SUS.  Queremos ser hospital geral e espaço de ensino. Temos muito movimento de alunos, que têm suas aulas nas enfermarias e nos centros cirúrgicos daqui.

Como está a relação do Hospital da Gamboa com o projeto Porto Maravilha?

Tínhamos muitos assaltos e problemas de luz e abastecimento de água na região. Hoje, devemos o novo Hospital da Gamboa ao Porto Maravilha. O que tínhamos antes era um hospital que sobrevivia com certa força, mas não se compara ao que estamos conseguindo agora. De ?patinho feio?, passamos a cisnes. Somos muito procurados para parcerias. Chegamos a um ponto em que as obras não param. Hoje já não temos espaço para oferecer.

Quais são as principais dificuldades do hospital?

Sofríamos constantemente com falta de água e luz. Vivíamos todo tipo de privação. Não tínhamos autonomia, éramos totalmente sustentados pela nossa central, que é a Santa Casa (de Misericórdia). Não temos um CTI (Centro de Terapia Intensiva) aqui, mas já recebemos proposta de empresários para a construção de uma unidade. Outra questão é a acessibilidade. Apesar de a Região Portuária ser bem localizada, o acesso sempre foi muito ruim. A revitalização está mudando esse quadro, o que nos torna mais acessíveis e visíveis ao público. Ganhamos mais investimentos e, com isso, pudemos aumentar nossos serviços. Pretendemos ampliar a parceria com o SUS para atender cada vez melhor às pessoas que não podem pagar um plano de saúde.

O que esperam para os próximos anos?

Nos dias atuais, mesmo com dificuldades financeiras, somos reconhecidos pelo atendimento de qualidade, nossa principal meta. Em um futuro breve, temos a certeza de que o Hospital da Gamboa será referência em saúde para a Região Portuária. Teremos um hospital que funciona bem, com receita para se custear, atendendo à população da região ? pagante ou não ? sem obstáculos e com excelência. Esse é o Hospital da Gamboa dos nossos sonhos.

08/11/2011

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