Governo federal libera recursos para VLT

Obras | 22/03/2011

Governo federal libera recursos para VLT

Novo VLT do Centro terá seis linhas, 26 Km em vias e 42 estações que conectam rodoviária, ônibus, barcas, trens, BRTs e aeroporto

A presidenta Dilma Rousseff e o prefeito Eduardo Paes anunciaram no dia 21 de março investimentos em mobilidade urbana no Rio de Janeiro em visita oficial à cidade. A União vai liberar R$ 1,63 bilhão em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade para o corredor expresso de BRT (Bus Rapid Transit) da Avenida Brasil, a Transbrasil, e para o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) do Centro. A Transbrasil vai ligar Deodoro ao Aeroporto Santos Dumont pela Avenida Brasil, passando ainda pelas avenidas Francisco Bicalho e Presidente Vargas - área do Porto Maravilha. Essa obra é orçada em R$ 1,3 bilhão - o Governo Federal vai financiar R$ 1,129 bilhão, e a Prefeitura entrará com R$ 171 milhões de contrapartida. No caso do VLT, que encontra a Transbrasil, o custo é de cerca de R$ 1,1 bilhão. O financiamento federal será de R$ 500 milhões, e o restante será viabilizado por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada).

O VLT do Centro traz ao Rio o conceito de transporte público integrado, conectando estações de metrô, trens, barcas, BRTs (Bus Rapid Transit, o "Ligeirão"), redes de ônibus convencionais e aeroporto. O sistema terá 42 estações, seis linhas e 26 km em vias, de ida e volta. A distância média entre as estações é de 400 metros. Cada vagão comporta até 450 passageiros, e o tempo máximo de espera entre um trem e outro varia de 5 a 15 minutos, de acordo com a linha.

Durante o evento de anúncio do financiamento, o prefeito explicou a lógica e o traçado dos BRTs. "Vamos ter uma rede de transporte que se fala. Até o fim de 2013, o sujeito vai pegar esse ônibus bonito, com ar-condicionado e Bilhete Único", descreveu, para, em seguida, comentar diretamente com o governador do Rio, Sergio Cabral, a importância da transformação do sistema de transportes. "Todos os BRTs vão chegar ao Centro, Cabral, que vai ser um lugar em que as pessoas vão chegar com toda dignidade. Tudo integrando com trem, com metrô, com VLT", acrescentou.

Em seu discurso, Dilma Rousseff definiu que a obra não é uma obra de mobilidade, mas com alcance na qualidade de vida do brasileiro. "Não estamos fazendo só uma obra de transporte. Estamos mudando a realidade do Rio de janeiro no que se refere à convivência das pessoas. A ida para casa e tempo disponível até para o lazer. Nas grandes cidades, é muito difícil se viver, porque as pessoas perdem muito tempo no deslocamento em serviços precários", ponderou a presidenta. Segundo ela, a integração dos diversos modais deve ser considerada como uma das melhores práticas de transporte urbano do Brasil. "Iremos levar para outros governos estaduais e prefeituras", adiantou.

O modelo integrado foi concebido para melhorar o trânsito da região central da cidade, em planejamento voltado à redução da circulação de ônibus na área. As ruas da Região Portuária já começaram a ser preparadas para receber o chamado "bonde moderno". A primeira etapa de instalação do novo transporte será concluída em 2014, para a Copa do Mundo, com duas linhas em funcionamento. As outras quatro entram em operação até 2016, para absorver o movimento dos Jogos Olímpicos. "O VLT vai passar por regiões que hoje não dispõem nem de ônibus. O projeto interliga todos os modais de transporte da região: rodoviária, barcas, aeroporto, estações de metrô, a Central do Brasil, o teleférico da Providência e o trem de alta velocidade (trem bala)", explica Jorge Arraes, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa criada pela Prefeitura do Rio para coordenar a operação urbana Porto Maravilha.

Tecnologia será usada pela primeira vez no Brasil

No Brasil, não há nada parecido com o futuro VLT do Rio. Mesmo no mundo, o modelo é inédito. Os trens não têm fios superiores em rede aérea e são alimentados por duas fontes de energia. Haverá um terceiro trilho energizado em alguns trechos e nas paradas. A cada frenagem, também há geração de energia - que será armazenada por um equipamento chamado supercapacitor. Essas tecnologias já são utilizadas no mundo, mas somente em separado.

O que ainda não existe é a combinação desses dois sistemas, conferindo segurança e economia. Outra vantagem dos veículos leves é a inserção no sistema viário sem exigência de grandes desapropriações, já que eles se utilizam, preferencialmente, de vias secundárias ou exclusivas de pedestres. O projeto contempla acessibilidade aos portadores de deficiência física em todos os vagões e exige a instalação de ar-condicionado. O preço da tarifa ainda não foi definido, mas o sistema fará parte do Bilhete Único.

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