Túneis do Porto Maravilha são destaque em congresso

Obras, Mobilidade | 29/03/2012

Praça Mauá é canteiro de obras para escavações do Túnel da Via Binário

Os novos projetos dos quatro túneis que integram a Operação Urbana Porto Maravilha foram recebidos com entusiasmo no 3º Congresso Brasileiro de Túneis e Estruturas, promovido entre os dias 20 e 22 de março, em São Paulo. O gerente de Engenharia e Planejamento do Consórcio Porto Rio, Marco Antônio Marinho, responsável pelas obras na Região Portuária, apresentou o projeto que criará um novo sistema viário na região. Ele conta como foi o evento e explica detalhes dos túneis e suas técnicas de construção.

Os trabalhos na Praça Mauá não param: funcionários se revezam 24 horas por dia na construção do Túnel da Via Binário

Como foi sua participação no 3º Congresso Brasileiro de Túneis e Estruturas Subterrâneas?

Foi uma honra falar e transmitir para um público seleto as tecnologias  para a construção dos quatro túneis do Porto Maravilha. Além disso, esse é um projeto pioneiro, pois vai transformar uma Região Portuária  hoje  degradada em um excelente local para trabalho, moradia e passeio.

Como os participantes do Congresso receberam o projeto?

Foi um sucesso. Foi a apresentação mais aplaudida. Muitos participantes vieram parabenizar o projeto pela dimensão. Começamos a apresentação com um vídeo que mostra a região hoje e como vai ficar. Depois, apresentamos o projeto do Museu do Amanhã. Demos um foco maior aos túneis, que têm uma importância enorme. Com a construção deles, a região poderá ter um novo sistema viário.

Perspectiva de como ficará o Túnel da Saúde, com três pistas de um lado e três do outro, com o VLT passando pelo meio

São quatro túneis: o da Via Binária, o do Morro da Saúde, o da Via Expressa e o da Rede Ferroviária Federal.  O que eles têm em comum?

Os quatro túneis são muito diferentes. O Túnel da via Binário do Porto pode ser considerado o principal. No primeiro projeto, a entrada seria pela Av. Primeiro de Março E a saída se daria por trás do Tribunal de Justiça, na Rua Antônio Lage. Mas nós o ampliamos e agora este túnel passará por baixo da Rua Barão de Tefé. Com a modificação, demos mais segurança em termos de infraestrutura. Com isso, a profundidade do túnel passou de 22 metros (m) para  35m, e a sua escavação será em rocha, garantindo a estabilidade.

O Túnel do Morro da Saúde é o mais complexo. Nós o chamamos de estrutúnel, que é a construção de suporte ao morro e ao próprio túnel. A escavação é feita em solo. Precisamos fazer o que chamamos de side drift ? pequenas cavernas feitas em cada lado para permitir a escavação. A estrutura do Túnel da Saúde terá duas galerias com três pistas cada, para os dois sentidos, e entre elas passará o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

O Túnel da via Expressa vai efetivamente permitir a remoção da Perimetral. Ele também é profundo, com cerca de 40m de profundidade, construído na rocha. Terá seis pistas, três em cada sentido.

O Túnel da Rede Ferroviária Federal já existe e é todo em rocha, mas apresenta algumas fissuras e está sofrendo com infiltração na parte superior, onde fica o Morro da Providência. Nesse caso, fazemos sondagens e estudos para definir o melhor caminho para os reparos e aperfeiçoá-lo para receber o VLT.

Túnel da Rede Ferroviária Federal, que já existia mas estava desativado, passará por reparos e servirá para passagem do VLT

É possível comparar esses novos quatro túneis com algum da cidade?

Exceto o túnel do Metrô, feito há 30 anos, não existe nenhum túnel viário na cidade que desça, que seja subterrâneo. Todos foram construídos em nível e só varam a rocha. Nos nossos dois túneis, da via Binário do Porto e da via Expressa, há a técnica chamada ?efeito sifão?, em que você desce para fugir das fundações dos prédios e sai mais à frente.

Como são feitos os estudos para a construção e escavação dos túneis?

Inicialmente, fazemos uma pesquisa para localizar a rocha ou descobrir se já houve alguma escavação. Efetuamos diversas sondagens e também utilizamos um equipamento que faz um ?raio-x? do solo.

Estas obras trazem novidades técnicas?

Estamos aplicando as melhores técnicas do mundo. Preferimos ter um pouco mais de tempo na fase do planejamento para que o impacto na cidade durante as obras seja o menor possível. Usamos um equipamento utilizado apenas duas vezes no Brasil, a Hidrofresa. É muito moderno, tem diversos sensores que permitem a execução com maior precisão e velocidade da parede de diafragma do poço do túnel, que é basicamente um muro vertical de profundidade e espessura variáveis. A grande vantagem é que, por ser computadorizada, viabiliza a visualização de onde os desvios e interferências estão, o que ajuda a minimizar perfurações de locais com água ou de outro tipo de material, que podem estar na rocha ou no solo. Isso agiliza muito o processo.

 As obras dos quatro túneis apresentam algum impacto ambiental para a cidade?

Não são grandes os impactos, principalmente porque vamos reutilizar todas as rochas na própria obra, como já estamos fazendo com outros materiais das demolições. Além disso, estudamos o impacto sonoro das obras e também nos preocupamos com as vibrações durante as detonações.

Todos os túneis são vias expressas ou eles terão espaço para pedestres e ciclistas?

Três serão vias expressas e o Túnel do Morro da Saúde, que é em nível, terá uma calçada. Os demais túneis não permitem esse espaço destinado a pedestres e ciclistas. Vale dizer que o túnel da Rede Ferroviária Federal vai receber exclusivamente o VLT.

E como ficará o trânsito?

Estudamos não só o impacto do trânsito na Região Portuária, mas em todo o Rio de Janeiro. Teremos a construção dos túneis, mas também a implementação do VLT e dos BRTs (Bus Rapid Transit, os Ligeirões), a redução de ônibus e carros no local... Todas as iniciativas vão melhorar o trânsito e facilitar a integração dos meios de transporte.

29/03/2012

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