"O Rio terá uma Região Portuária fantástica"

Obras, Mobilidade, Social | 07/03/2012

Ao entregar as obras da primeira fase do Porto Maravilha, o secretário de Obras Alexandre Pinto diz que a cidade vive momento revolucionário

A Prefeitura do Rio inaugurou neste domingo, 1º de julho, a primeira fase do Porto Maravilha. Em investimento de R$ 139 milhões, a Secretaria Municipal de Obras (SMO) reurbanizou 24 vias - oito na parte baixa dos bairros da Saúde e Gamboa e 16 no Morro da Conceição. Desde 2009, a prefeitura assumiu a responsabilidade sobre essa área de 350 mil metros quadrados (m²) como demonstração do que será implementado nos 5 milhões de m² da Operação Urbana Porto Maravilha. Alexandre Pinto, secretário municipal de Obras, explicou ao Blog Porto Maravilha o que foi feito até agora. Ele detalha o trabalho da SMO durante um ano e meio e afirma que o próximo passo, a Fase 2, será ainda mais revolucionário para a cidade. Segundo o secretário, as grandes transformações proporcionadas pela construção do novo sistema viário e a prestação dos serviços públicos pela iniciativa privada serão responsáveis por um momento especial para os cariocas e turistas.

Fase 1 do Porto Maravilha inaugurou também Cais do Valongo, parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana

O que é a primeira fase do Porto Maravilha?

São 24 vias reurbanizadas - oito na parte baixa dos bairros da Saúde e Gamboa e 16 no Morro da Conceição -, em investimento de R$ 139 milhões. Recuperamos também o Cais do Valongo, o Jardim do Valongo, a Casa da Guarda e o Mictório Público.

Casa da Guarda, no Jardim do Valongo, expõe relíquias arqueológicas encontradas na escavações da primeira etapa do Porto Maravilha

O que é uma obra de infraestrutura urbana?

O trabalho refez, além da macrodrenagem, pavimentação, novas calçadas, redes de abastecimento de água e coletora de esgoto, iluminação e conversão subterrânea para as redes elétricas e de telecomunicações. Toda essa área foi crescendo de maneira desordenada. A última obra de drenagem foi há 100 anos. As intervenções aumentaram de dois para oito o número de saídas de água na Baía de Guanabara. As galerias, antes com 80 cm de diâmetro, foram substituídas por novas, 11 vezes maiores (3,20m por 1,80m). Isso é fundamental para solucionar os problemas de enchentes e alagamentos na região.

Quais são as principais dificuldades em executar obras nessa área?

A grande dificuldade dos nossos técnicos foram as interferências com as concessionárias de prestação de serviços. O mapeamento do subsolo era totalmente confuso. Encontramos redes de energia, esgoto e iluminação no caminho. Esbarramos também em achados arqueológicos, o que requer um trabalho muito importante de resgate e catalogação da nossa história e exige mudança no cronograma das obras. Desde fevereiro de 2011, técnicos da Secretaria Municipal de Obras dividiram o canteiro da Avenida Barão de Tefé com uma equipe de historiadores e arqueólogos supervisionados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Imagem ilustrativa de nova infraestrutura em rua da Região Portuária

Como a população sai beneficiada?

Acabam os problemas com enchentes. Outro ganho é a conversão das redes em subterrâneas, o que garantirá nova estética às vias. Também refizemos a iluminação e executamos novo pavimento. Tudo isso garante segurança aos moradores e comerciantes, atraindo investimentos para a área. Todos os imóveis da Região Portuária já foram valorizados. Outra questão é o resgate da história da nossa cidade. A escavação e a redescoberta do Cais do Valongo, em meio às obras de requalificação, nos permite valorizar o patrimônio tão característico desta região. A pesquisa chegou à fase final e passará por trabalho de curadoria e análise de material. Em uma área de 2 mil metros quadrados, foram encontrados objetos da vida cotidiana das classes dominantes do império e dos africanos escravizados. As peças são armazenadas no Museu Nacional e vão compor um memorial. Parte pode ser vista a partir de 24 de julho na mostra ?Relíquias do Porto Maravilha? na Casa da Guarda, no Jardim Suspenso do Valongo [NOTA DO BLOG: As visitas guiadas devem ser agendadas previamente no Espaço Meu Porto Maravilha, Avenida Barão de Tefé s/n, esquina com Avenida Venezuela].

O que é possível esperar da Fase 2 com base na finalização da Fase 1?

A segunda fase será uma verdadeira revolução no cotidiano carioca. A demolição do Elevado da Perimetral, a construção dos novos túneis e da Via Binário do Porto vão fazer desta área uma das mais agradáveis da cidade. Além disso, pela primeira vez na história do Rio, a prestação de serviços é coordenada pela iniciativa privada. O Rio vai ter uma Região Portuária fantástica, assim como Buenos Aires e Barcelona.

Texto: Yara Lopes / Fotos: Clarice Barretto

03/07/2012

Tags: