Nota à Imprensa

Obras, Mobilidade, Social, Cultural | 05/05/2020

A respeito da matéria “Caixa diz que Porto Maravilha do Rio era inviável desde o início”, publicada em 4 de junho, a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) vem a público tecer esclarecimentos. Especialmente sobre a posição da Caixa Econômica Federal, gestora do Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha (FIIPM), que  em junho de 2011 adquiriu todos os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) e, com eles, a responsabilidade de arcar com o pagamento das obras e serviços da revitalização durante 15 anos.
Há uma discussão conceitual, hoje em juízo, sobre os números da operação e sua viabilidade. A Caixa discute a sustentabilidade do projeto e afirma que o fundo investiu R$ 5 bilhões quando, na verdade, adquiriu da Prefeitura do Rio R$ 3,5 bilhões em ativos que já valorizaram. Nos primeiros anos da Parceria Público-Privada, obras e serviços foram pagos efetivamente pela municipalidade com o recurso da venda dos Cepacs. Do preço inicial de R$ 545, o último extrato informava valor de R$ 955. Ou seja, o Fundo não desembolsou R$ 5 bilhões a fundo perdido. Fez um aporte de R$ 1,5 bilhão em 2015, mas ao comprar os Cepacs por R$ 3,5 bilhões fez um investimento de longo prazo.
À época comprometeu-se a arcar com R$ 7,6 bilhões em 15 anos (R$ 10,5 bilhões em valores atualizados). E sendo a maior especialista em mercado imobiliário no País tinha esse conhecimento ao assinar o contrato.  Previa remunerar a operação e ainda obter lucro para o fundo. A operação do fundo é prevista por 25 anos, a exemplo de outras revitalizações de áreas degradadas – como o @21 de Barcelona, Águas Espraiadas em São Paulo ou  Docklands de Londres - que precisam de anos para consolidação porque ciclos da economia permitem dar novo ritmo ao desenvolvimento imobiliário e sustentabilidade.
A crise que afetou os primeiros anos do Porto Maravilha já vinha dando sinais de retração. Os empreendimentos entregues apresentavam taxa de vacância de 90% em 2016, e hoje esse índice está em 30%. Estudos de consultorias especializadas demonstram que o futuro imobiliário da cidade encontra no Porto Maravilha uma de suas melhores apostas com 87% das obras já concluídas, localização estratégica e terrenos disponíveis para empreendimentos comerciais e residenciais.