Valorização e resgate do patrimônio da Região Portuária
O Porto Maravilha é uma Operação Urbana que prevê o reencontro da Região Portuária com a cidade a partir da requalificação de 5 milhões de metros quadrados, no quadrilátero entre as avenidas Rio Branco, Presidente Vargas, Francisco Bicalho e Rodrigues Alves, nos bairros da Gamboa, Santo Cristo e Saúde, morros do Pinto, Conceição, Providência e Livramento e parte do Cajú, São Cristóvão, Cidade Nova e Centro.
O processo de transformação traz o desafio de promover mudanças que beneficiem moradores e frequentadores da região e, ao mesmo tempo, de preservar sua identidade cultural e arquitetônica.
A Lei Complementar 101/2009 - que instituiu o Porto Maravilha - determina a aplicação de pelo menos 3% dos recursos arrecadados com Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) na recuperação e valorização desse patrimônio e no fomento à atividade cultural.
Diversidade cultural e arquitetura retratam história da cidade e do país A Região Portuária guarda muito da história do Rio de Janeiro. Uma caminhada por suas ruas é suficiente para confirmar a riqueza dos patrimônios material e imaterial. Obras de grandes arquitetos, trapiches redescobertos, representações da cultura afro-brasileira, palacetes, sobrados do início do século XX e galpões ferroviários são parte da diversidade que conta a história da cidade e do País. Preservada com a lei que cria a Área de Proteção do Ambiente Cultural dos bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo (APAC Sagas), a região em que nasceu o samba tem notória vocação cultural, com manifestações artísticas de todo tipo, marco da identidade desses bairros.
Criada pela Prefeitura do Rio para coordenar a operação, a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp) implantou o Programa Porto Maravilha Cultural. Os recursos são aplicados na restauração de bens tombados, em ações do poder público e no apoio a iniciativas de valorização do patrimônio da região. Para implementar as ações, a Cdurp trabalha em parceria com instituições públicas, sociedade civil e setor privado.
Principais linhas de ação
Preservação e valorização da memória e das manifestações culturais "Grande Companhia de Mystérios e Novidades" desenvolve atividades culturais com a comunidade na Gamboa. Os "pernas de pau" combinam dança, teatro de rua e música
Valorização do patrimônio cultural imaterial Na segunda metade do século XIX, sambistas estivadores se reuniam para rodas de samba nas casas das tias baianas na Pedra do Sal. Lá, africanos escravizados que trabalhavam no cais e nos trapiches descarregavam a mercadoria. A tradição segue forte nos dias de hoje, com apoio do Porto Maravilha Cultural
Produção e difusão de conhecimento sobre a memória da região Em 1996, no coração da Gamboa, proprietários de imóvel particular do século XVIII resolveram reformar a casa. Sob o piso, encontraram um cemitério de escravos. Hoje o Instituto Pretos Novos (IPN), espaço aberto à visitação, preserva e expõe os achados, além de promover pesquisas, oferecer cursos e seminários
Recuperação e restauro material do patrimônio artístico e arquitetônico Centro Cultural José Bonifácio, inaugurado em 1877 por Dom Pedro II como o primeiro colégio público da América Latina, e Galpões da Gamboa (capa), primeiro terminal ferroviário marítimo da história da engenharia brasileira, de 1880: após restauração, os imóveis municipais abrigarão espaços culturais
Exploração econômica dos patrimônios material e imaterial, respeitados os princípios de integridade, sustentabilidade, inclusão e desenvolvimento social A Prefeitura do Rio criou o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, conjunto de locais marcantes para a memória da cultura afro-brasileira. Cais do Valongo/Imperatriz, Jardins do Valongo, Pedra do Sal, Largo do Depósito, Instituto Pretos Novos e Centro Cultural José Bonifácio fazem parte do roteiro de áreas de visitação para estudantes, moradores, estudiosos e turistas
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Última atualização: 05/07/2012