Instituto Pretos Novos divulga programação de cursos gratuitos de maio

Social, Cultural | 29/04/2016

O Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN) divulgou programação completa de oficinas gratuitas para maio de 2016. Professores e pesquisadores convidados ministram cursos sobre cultura africana, história e relação do negro com a Região Portuária. Além das atividades em sala de aula, dois passeios guiados levam os participantes para as ruas e locais onde a história aconteceu. Com apoio do programa Porto Maravilha Cultural, as aulas no Centro Cultural José Bonifácio (CCJB) e no Museu de Arte do Rio (MAR) começaram dia 8 de março e seguem até novembro. Interessados devem enviar email para anc@pretosnovos.com.br com ficha de inscrição preenchida (baixe ficha individual ou ficha para grupos).

Tia Lúcia celebra a cultura africana em dia de Lavagem do Cais do Valongo

CONFIRA O CONTEÚDO DE CADA OFICINA
Quinta-feira, 5 de maio – Educação Patrimonial: por uma pedagogia crítica da patrimonialização
A oficina analisa o papel do patrimônio e das disputas de memórias que serão ou não preservadas pelo processo de patrimonialização. Assim, estimula a interação entre comunidades e agentes responsáveis públicos que atuam na gestão, preservação e estudo dos bens culturais da cidade. O objetivo é possibilitar a troca de saberes e a criação e fortalecimento de redes para identificação, apropriação e proteção destes patrimônios.
Local: Museu de Arte do Rio (MAR), Praça Mauá – Sala 3.3
Horário: 14h
Duração aproximada:  duas horas e meia

Sexta-feira, 6 de maio – Mídia, Racismo e Educação
A oficina discute o pensamento eurocêntrico sobre o negro no Brasil, suas repercussões na educação e na mídia. Debate como os negros foram excluídos do sistema educacional, o que contribuiu para a construção de uma sociedade racista e desigual. A oficina também discute o protagonismo negro e suas formas de luta e resistência contra a violência sócio-política e cultural para a eliminação do racismo e a construção de uma sociedade justa e igualitária.
Local: Centro Cultural José Bonifácio (CCJB) - Rua Pedro Ernesto 80 - Gamboa
Horário: 14h
Duração aproximada: duas horas e meia
Terça-feira, 10 de maio – Hospital de Escravos da Imperial Fazenda Santa Cruz
Participantes são convidados a entender a inserção do Hospital de Escravos de Santa Cruz, como parte de um “Sistema de Saúde Escravo”, no universo da escravidão brasileira. A oficina traça paralelo com o sistema de saúde de hoje.
Local: Centro Cultural José Bonifácio (CCJB) - Rua Pedro Ernesto 80 - Gamboa
Horário: 14h
Duração aproximada: três horas
Quinta-feira, 12 de maio - Conto de Tradição Oral Africana e Afro-brasileira
A oficina explora lendas e mitos indígenas, africanos e afro-brasileiros com o objetivo de trabalhar o entendimento e a aceitação das diferenças étnicas e culturais para contribuir com a luta contra discriminação e exclusão social. Atividades como pintura corporal, desenho e música complementam a oficina comandada por Claudia Marques, contadora de histórias e mestre em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Local: Museu de Arte do Rio (MAR), Praça Mauá
Horário: 10h
Duração aproximada: três horas
Sexta-feira, 13 de maio – O contexto Social na Época da Revolta dos Malês na Bahia, 1835
A oficina discute os acontecimentos a partir do início do século XIX na Bahia que agravaram a crise social da época e afetaram principalmente os africanos escravizados ou libertos remete.  A ideia é apresentar a identidade muçulmana, a sobrevivência e resistência sob o patrulhamento governamental e religioso em meio ao duplo preconceito sofrido.
Local: Museu de Arte do Rio (MAR), Praça Mauá – Sala 3.3
Horário: 14h
Duração aproximada: três horas
Sábado, 14 de maio – Oficina a Céu Aberto: Caminho da Escravidão
A Oficina a Céu Aberto: Caminhos da Escravidão guia passeio por pontos da Região Portuária para analisar a transferência do mercado de escravos do Valongo, no período de 1758 a 1831, da Rua Direta, no Centro, para a Rua do Valongo, no então subúrbio, sob alegação de preservar o espaço urbano do contágio das doenças e epidemias. O passeio é guiado pelo historiador Claudio Honorato.
Roteiro:
- Igreja Santa Rita – Antigo Cemitério de escravos
- Largo da Prainha e Igreja São Francisco da Prainha
- Largo João da Baiana – Pedra do Sal
- Jardins Suspensos do Valongo e Largo do Depósito
- Cais do Valongo e Mercado de Escravos do Valongo
- Praça de Harmonia
- Igreja Nossa Senhora da Saúde
- Centro Cultural José Bonifácio
- IPN – Sítio Arqueológico Cemitério dos Pretos Novos
Local de partida: Largo de Santa Rita
Concentração: 9h
Horário da partida: 9h30
Terça-feira, 17 de maio – O Zé Pelintra: construção Histórica e Antropológica do Inconfesso Sagrado Masculino
A oficina fala sobre a construção histórica de uma das entidades mais conhecidas nos cultos afro-brasileiros e suas representações nas diversas modalidades midiáticas: O Zé Pelintra. O professor, arquiteto, antropólogo e historiador Blonsom Faria analisa imagens e objetos de culto, pontos riscados, pontos cantados, vestimentas, adornos, novelas e produções cinematográficas para discutir a construção do imaginário dessa entidade.
Local: Museu de Arte do Rio (MAR)
Horário: 14h
Quarta-feira, 18 de maio – Introdução à História do Cristianismo na África Nilótica
O cristianismo chegou cedo às terras banhadas pelo alto Nilo, habitadas pelos Cuxitas –civilização original de cultura e política marcada por interações de um lado com o mundo egípcio e de outro com os povos da África central. A oficina conta uma história que começou no século IV e resistiu a investidas do Islã nos séculos VII e VIII, quando estabeleceram paz com os novos governantes do Vale do Nilo. Durante esse tempo prosperou na região comunidade cristã original, até que mudanças climáticas e socioeconômicas sepultassem sua existência. O objetivo desta oficina é reconstituir as linhas gerais dessa experiência histórica na África da região do Nilo, considerando suas implicações para o estudo atual da história do continente e do cristianismo.
Local: Centro Cultural José Bonifácio (CCJB) - Rua Pedro Ernesto 80 - Gamboa
Horário: 14h
Duração aproximada: duas horas e meia
Quinta-feira, 19 de maio – Série Religiosidade Afro-brasileira: Folhas Sagradas
A Religião Yorubá tem Orí como uma das divindades de sua cultura. Na verdade, Orí é considerado a maior divindade entre todas. O Orí de cada ser humano é tido como a divindade pessoal de cada um, supostamente mais interessada nas questões individuais das pessoas que quaisquer outras. A oficina explica a relação do povo Yorubá com Orí e analisa poemas de Ifá sobre a adoração a Orí.
Local: Centro Cultural José Bonifácio (CCJB) - Rua Pedro Ernesto 80 - Gamboa
Horário: 14h
Duração aproximada: duas horas e meia
Sexta-feira, 20 de maio - Série Mitologia Afro-Brasileira: Omulu, o Curador Ferido
Omulu é o filho renegado de Nanã e adotado por Yemanjá, portador da saúde e da doença. A oficina apresenta esta figura emblemática da mitologia africana e do imaginário brasileiro. Seu culto se perpetua pelo continente africano, onde é reverenciado como potência sem igual.
Local: Centro Cultural José Bonifácio (CCJB) - Rua Pedro Ernesto 80 - Gamboa
Horário: 14h
Duração aproximada: duas horas e meia
Sábado, 23 de abril – Oficina a Céu Aberto: Circuito de Herança Africana
A oficina apresenta o Circuito Histórico e Arqueológico de Celebração da Herança Africana em passeio a céu aberto. O objetivo é percorrer os seis pontos para conhecê-los e refletir sobre o processo de patrimonialização. Quem guia o passeio é a socióloga Carla Marques.
Roteiro:
- Cais do Valongo e da Imperatriz
- Cemitério dos Pretos Novos
- Largo do Depósito
- Jardim do Valongo
- Pedra do Sal
- Centro Cultural José Bonifácio (CCJB)
Local de partida: Bicicletário do Museu de Arte do Rio (MAR)
Concentração: 9h
Horário da partida: 9h30 
Texto e Foto: Bruno Bartholini