Arte Salva Vidas

Social, Cultural | 16/03/2017

Desde 5 de janeiro de 2012 Aldari Luiza Marques da Silva luta. Contra um câncer. Percebeu que o tratamento médico ganhava reforço de ânimo com o trabalho social que assumiu. Ao se deparar com mulheres também sob cuidados clínicos e que não conseguiam permanecer ou retornar ao mercado de trabalho, criou o projeto A Arte Salva Vidas. Organizou uma feira de artesanato que passou a garantir renda para produtores independentes e recursos para cestas básicas distribuídas a famílias com necessidades financeiras. “A cada pessoa ajudada, sinto como se melhorasse um pouquinho e fizesse a minha parte”, revela.

Feira aproveita a movimentação de navios que ancoram no Píer Mauá
A Arte Salva Vidas expõe na Orla Conde sempre que há navios ancorados no Píer Mauá ou de sexta-feira a domingo, na altura da Parada dos Museus do VLT Carioca. Na sexta-feira, 10 de março, edição especial distribuiu cestas básicas para 105 famílias e ofereceu atividades para adultos e crianças. Para selecionar beneficiários, Aldari firmou parceria com o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Dodô da Portela da Prefeitura do Rio, que indica grupos acompanhados pelo órgão. “A ideia é que todo mês a gente faça um evento como esse, ajudando quem precisa com comida e alegrando principalmente as crianças”, detalha.
Tamires Azevedo, moradora do Morro da Providência, veio pela segunda vez participar do evento, mas diferentemente das outras mães não trouxe o filho para as atividades educativas e lúdicas na Orla Conde. Davi, de 1 ano, nasceu com microcefalia e ficou em casa com o pai se recuperando de uma virose. “Preferi não trazer o meu pequeno, mas não poderia deixar de vir. Como eu e meu marido estamos desempregados, essa cesta básica significa pelo menos duas semanas de comida garantida”, admite.


Edição de março distribuiu 105 cestas básicas para moradores da Região Portuária
Embora o grupo seja formado por famílias em situação de vulnerabilidade social, a animação de crianças e mães presentes disfarçava problemas enfrentados no dia a dia. “Eu ameeeei a boneca Vida. Ela é muito divertida. Sabe brincar com a gente”, pulava e comemorava Pedro, de 5 anos, ao falar da personagem de Adriana Alves Dais.

Boneca Vida brinca com crianças e conscientiza sobre a importância da reciclagem
Adriana, a boneca Vida, conta que criou a personagem em 2013, em um Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) de São João de Meriti, nas oficinas de costura para as mães de crianças com alguma necessidade especial que levavam os filhos para estudar e ficavam sem fazer nada. “Produzíamos artesanato que garantia renda, e então surgiu a ideia de trazer personagens que tocassem e ensinassem as crianças. Tenho essa de Reciclagem, mas há também a de Contação de Histórias e a de Meio Ambiente. Todas as bonecas são de material reciclado, assim como as bolsinhas que vendemos aqui na feira”, explicou.
Com doações de empresários e contribuições dos artesãos, a feira A Arte Salva Vidas pretende aumentar o número de cestas básicas doadas mensalmente. Para abril, as organizadores preveem 130 – 25 a mais. Em maio, o evento será temático para o Dia das Mães. “Já tivemos Outubro Rosa, Árvore de Natal de Livros, Ano Novo. Cada produção é uma luta e uma festa”, resumiu Aldari.
“Atitudes como a de Aldari confirmam que não há limite para a solidariedade. Este é um trabalho que reúne pacientes em tratamento, arte, empreendedorismo e criatividade com capacidade de transformar vidas”, avaliou o gerente de Desenvolvimento Econômico e Social da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), Rilden Albuquerque, que participou da distribuição das cestas a convite de Aldari.
Texto: Clarice Tenório Barretto / Fotos: Bruno Bartholini e Clarice Tenório Barretto