Cosmonauta Mosaicos instala novos murais na Travessa do Liceu

| 11/11/2021

As obras integram o projeto Abya Yala que retrata povos originários do Continente Americano
Dois novos murais foram instalados pelo Ateliê Cosmonauta Mosaicos na Travessa do Liceu, entre as ruas Acre e Sacadura Cabral. As obras Mapuche Pewenche e Abya Yala integram o projeto de arte urbana Abya Yala – nome usado por povos originários do continente para referirem-se à América. A intervenção agora atinge cerca de 70% e deve ganhar ainda novas obras que colorem a base do Morro da Conceição próximo ao acesso pela Ladeira João Homem.


Os artistas Natalia Reyes e John Souza são moradores da região e atuam no Morro da Conceição há anos com diversas obras espalhadas pela região. Com financiamento via Lei Aldir Blanc, conseguiram tirar do papel projeto antigo de revitalização da travessa com arte.
Confira a descrição de John e Natalia sobre os novos murais:
MAPUCHE PEWENCHE
O povo originário Mapuche (Mapu=terra e che=gente, Gente da Terra) ocupa um extenso território no sul do continente Abya Yala que vai do Oceano Atlântico, cruzando a Cordilheira dos Andes até o Oceano Pacifico. Seu território é denominado Wallmapu e compreende uma ampla diversidade de identidades. Os Mapuche Pewenche habitam a Cordilheira dos Andes, sendo de grande importância para eles a araucária ou pewen, da qual provem o seu nome.



Na cosmovisão Mapuche, as pessoas possuem identidades compartilhadas com os seres da natureza como animais, rios, montanhas e árvores. Os Mapuche Pewenche têm essa conexão com os seres que habitam a cordilheira, como o Mañke (Condor) que simboliza os valores éticos de um grande líder, como ser kimche (pessoa sábia), Norche (pessoa que ama a justiça), kumeche (pessoa bondosa) e Newenche (pessoa com poder e força interior).
ABYA YALA
Abya Yala é o nome dado ao continente americano pelo povo Kuna da América Central e significa Terra Viva, Terra Madura. Simboliza também, a profecia presente na cultura de diversos povos originários segundo a qual, quando a Águia do Norte e o Condor Sul voarem juntos a harmonia retornará ao continente. Abya Yala vem sendo adotado pelos povos originários para nomear o continente em contraponto à palavra América como forma de reconstrução simbólica a partir de elementos próprios aos povos originários, a construção do mapa em outra perspectiva contribui também nesse processo, rechaçando assim o olhar eurocêntrico sobre o território, avançando na descolonização do pensamento que se reflete na descolonização do modo de viver em sociedade.


Murais do Abya Yala, projeto produzido pelo Ateliê Cosmonauta Mosaicos, traz para o espaço público uma série de murais sobre a diversidade cultural do continente Abya Yala. Respeitar os povos originários, sua cultura que está viva e pulsante, seus conhecimentos e seu modo de vida são fundamentais para construir a sociedade multicultural de harmonia com a natureza, de respeito e paz que eles nos apontam.

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