Antiga Igreja de São Joaquim é revelada durante obras do VLT

| 28/08/2018

Construção do século XVIII foi demolida por reformas de Pereira Passos

As obras de implantação da linha 3 do Veículo Leve sobre Trilhos avançam na Avenida Marechal Floriano e, paralelo a elas, o trabalho arqueológico revela detalhes da história do Rio. Dessa vez, a equipe de arqueologia que trabalha nas obras da Prefeitura do Rio sob a supervisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) evidenciou local da antiga Igreja de São Joaquim e cemitério da elite católica. O templo foi erguido em 1758 ao lado de um seminário (local para formação de padres), área onde mais tarde foi instalado o Colégio Pedro II. Foram identificadas 15 ossadas. Era prática comum na época os cemitérios serem anexos às igrejas.

Alicerces da Igreja de São Joaquim, na  Marechal Floriano
Nas obras, foram revelados alicerces que ajudarão a delimitar a área ocupada pela igreja, além de fragmentos e objetos ligados àquele espaço, como recipientes e cerâmicas. Uma das formas de avaliar as dimensões aproximadas é o trabalho de espelhamento das fundações encontradas durante o trabalho arqueológico, que ajuda a simular a superfície real ocupada pelas estruturas. A análise desse material tentará indicar mais informações sobre os usos e ocupação da região do imóvel. A pesquisa inclui trabalho de Educação Patrimonial. Na última semana, 850 estudantes dos ensinos Fundamental e Médio do campus Centro do Colégio Pedro II acompanharam palestra de integrantes da equipe de arqueologia no entorno das obras.

Arqueóloga trabalha na escavação de ossada na Marechal Floriano
Em 1817, já com a família real no Rio, a igreja passou a ser considerada a capela oficial dos batalhões e conservou sua forma até 1904. Naquele ano, o então prefeito do Rio, Pereira Passos, incluiu a demolição da  área no projeto de alargamento da então Rua Estreita de São Joaquim, onde hoje está a Avenida Marechal Floriano. Por ser um desmonte planejado, poucos objetos inteiros teriam sido deixados pelos frequentadores, que tiveram tempo de retirar seus pertences.
Cemitério de Escravos
A prefeitura e o Iphan atenderam as reivindicações do movimento negro para não escavar a área do antigo cemitério de escravos no Largo de Santa Rita. O trabalho dos arqueólogos no local fica limitado à delimitação do cemitério com base nas prospecções que já catalogou ossos achados no local. O piso será marcado para mostrar onde os negros escravizados foram enterrados. Este cemitério é anterior ao Cemitério dos Pretos Novos, onde hoje fica o Instituto de Pesquisa e Memória dos Pretos Novos (IPN). Com a expansão da cidade para a Região Portuária, o cemitério foi deslocado para mais longe do Centro, no entorno da atual Rua Pedro Ernesto.
*Com informações da Concessionária do VLT Carioca | Fotos: Divulgação VLT