Alunos do Instituto Nacional de Educação de Surdos visitam AquaRio

Social, Cultural | 20/04/2017

Nove crianças, 4,5 milhões de litros d’água, milhares de peixes e o mesmo olhar de encantamento no rosto de cada um. Todos com até cinco anos de idade, a maioria com as mães. Na segunda-feira, 17 de abril, mais uma turma da Pré-Escola do Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) conheceu o AquaRio. Só em abril, o maior aquário da América Latina abriu as portas para 46 alunos da instituição.


Joelma da Silva com a filha Ester, de dois anos, no túnel do Tanque Oceânico no AquaRio

Foi uma segunda-feira de muito movimento. Estudantes de instituições públicas e privadas se revezavam entre um tanque e outro no circuito que leva todos à atração principal: o Tanque Oceânico. Com 3,5 milhões de litros d’água e um túnel que cruza o maior dos 28 recintos, o espaço é o mais concorrido. E em meio à confusão, cada criança da visita olhava atentamente para cima. Todos calmos, sem ter noção da barulheira que tomava conta do ambiente abafado. Os olhos seguiam cada raia que passava, e os dedos apontavam para Margarida, o tubarão da espécie Mangona que girou sem parar por cima de suas cabeças.
A professora responsável pelo grupo, surpresa com a reação dos pequenos, planeja colocar um aquário na sala de aula: “Vai ter que ser um bem menor que esse, mas vamos providenciar”. Para Jurema Santos, aquelas poucas horas de experiência são essenciais para adquirir mais conhecimento na linguagem de sinais, principalmente no grupo dos menores. “Eles precisam de muitos estímulos visuais, a comunicação e o vocabulário por sinais ainda não estão desenvolvidos nesta idade. O diálogo das pessoas de um modo geral é auditivo, então para eles é muito necessária esta vivência presencial. O mundo não acontece visualmente a não ser que você vá até ele”, explica.

O aluno Kaique Motta, de três anos, observa de perto um dos 25 tanques do AquaRio

Um dos olhares inquietos ao chegar ao maior tanque do aquário foi o de Henrique de Freitas, de cinco anos. Ele não podia imaginar que, alguns metros à frente, quando chegasse ao túnel, passaria dentro daquele mini oceano. Mas não importava, aquela vista externa já era o bastante. Ele nunca tinha visto nada igual, mesmo conhecendo o Zoológico, que segundo sua mãe, Karine de Freitas, já tinha gostado muito. Ali, duas coisas chamaram sua atenção: “Ele adorou tudo. Mas principalmente o tanque da Dori e do Nemo. Ele ficou encantado também vendo o mergulhador perto do tubarão”, conta Karine, que observava cada reação do filho.
O Ines atende em torno de 600 alunos, da Educação Infantil até o Ensino Médio. A arte e o esporte complementam as atividades. O ensino profissionalizante e os estágios remunerados ajudam a inserir o surdo no mercado de trabalho. O instituto também apoia o ensino e a pesquisa de novas metodologias a serem aplicadas no ensino da pessoa surda e ainda atende a comunidade e os alunos nas áreas de fonoaudiologia, psicologia e assistência social.

Texto e fotos: Bruno Bartholini