Orla Conde ganha formas de Debret em murais de grafite

Social, Cultural | 09/03/2017

A Orla Conde ganhou novo conjunto de murais de grafite na quinta-feira, 9 de março. Em homenagem ao trabalho do pintor e desenhista francês Jean-Baptiste Debret, que registrou fatos importantes da história do Rio em suas telas, grupo de sete artistas foi convidado a criar releituras na fachada do Armazém da Utopia. Eles farão parte da galeria de arte a céu aberto que já ocupa o passeio público com mais de 30 painéis de grafites. Além dos desenhos inspirados em Debret feitos por Afa, Airá “O Crespo”, Lya Alves, Gil Faria, Meton Joffily, Ràl Dozanime e Smile, alunos e professores de seis escolas e creches municipais pintaram azulejos com desenhos e frases que pedem um País mais justo e respeito às crianças.
Armazém da Utopia recebeu sete painéis de grafite inspirados em quadros de Debret / Luciene Braga

O trabalho, parte do projeto “Inscrever os Direitos Humanos em 1 e 1000 escolas do Rio de Janeiro”, da Associação Inscrire Brasil, tem como a missão difundir temas como cidadania e direitos fundamentais entre alunos de escolas e creches públicas. O prefeito Marcelo Crivella abriu oficialmente a exposição ao lado do presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), Antonio Carlos Mendes Barbosa, da secretária Municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, do embaixador da França, Laurent Bili, e do cônsul Belga, Jan Bouchet.

Antonio Carlos Mendes Barbosa, presidente da Cdurp (à direita); Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro; Jan Bouchet, cônsul da Bélgica; Philippe Nothomb, diretor da Inscrire Brasil; Marcelo Crivella, prefeito do Rio, e Nilcemar Nogueira, secretária municipal de Cultura, participam da cerimônia de inauguração dos grafites inspirados em Debret e em Direitos Humanos com alunos de escolas municipais / Edvaldo Reis
“A importância desses projetos está no esforço das crianças e na beleza de cada um dos desenhos. É preciso levar à consciência de nossas crianças os valores eternos dos direitos humanos. Quem olhar esses desenhos nos azulejos verá que as nossas crianças se esmeraram”, descreveu o prefeito Marcelo Crivella. “Os desenhos [inspirados em Debret] simbolizam sentimentos como a dor, o sofrimento, a melancolia. Mas, ainda assim, apresentam uma beleza clara, esfuziante. É algo fantástico. Isso é arte e não podemos esconder de ninguém. Grafite nada tem a ver com pichação e, nas ruas, só traz beleza”, complementou o prefeito.
A artista urbana Lya Alves, que retratou um escravo vendendo rosas e cocos para comprar sua liberdade, teve o trabalho premiado com uma viagem a Paris, na França. “As correntes da escravidão não fazem mais parte da nossa realidade, mas seu peso ainda permanece. É muito importante neste trabalho sobre direitos humanos lembrar que o passado ainda se faz presente. E ver a participação de crianças nesse processo é gratificante. Elas precisam muito mais do que aprender a história. Contextualizar essas informações para que compreendam o motivo de termos chegado até aqui”, defendeu a artista.
As iniciativas têm apoio da Secretaria Municipal de Cultura, por meio de financiamento pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura (ISS), e da Embaixada e do Consulado da França, além de parceiros como a Secretaria Municipal de Educação, a Cdurp, o Instituto EixoRio, a Concessionária Porto Novo, a Circlesgroup Brasil, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e o Armazém da Utopia.
Entre as crianças artistas, as alunas da Escola Jean Mermoz (Cachambi) Mariana Ferreira Morais e Eduarda Cardoso de Carvalho, de 9 anos,  falaram com orgulho sobre o trabalho que fizeram em defesa das crianças que sofrem bullying, que recebeu muitos elogios do prefeito. Elas representaram uma jovem estudante criticada pelos colegas por ter cabelos cacheados. Para Mariana, o problema acontece com frequência nas escolas e precisa ser combatido: “Já vimos várias pessoas serem tratadas dessa forma. Nas ruas acontece a mesma coisa. Resolvemos nos dedicar para que isso não aconteça mais. É uma coisa muito feia, e não gostamos”. Para Eduarda, a exposição do trabalho em uma área pública representa uma "oportunidade maravilhosa" de conscientização das pessoas sobre o tema.
Por Clarice Tenório Barretto com texto do Portal da Prefeitura do Rio (Texto: Flávia David)