A volta do Barão

Obras | 04/03/2015

A estátua de Irineu Evangelista de Sousa, conhecido como Barão ou Visconde de Mauá, está de volta ao local da cerimônia de concessão do título de nobreza em 1854 e que, após sua morte, passou a se chamar Praça Mauá. Retirada em outubro de 2011 para obras de construção do Túnel Rio450 e de remoção do Elevado da Perimetral, foi restaurada e ficou em exposição na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), na Rua da Candelária. Na sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015, voltou à praça entre os prédios do Museu de Arte do Rio (MAR) e o Museu do Amanhã.
Estátua do Barão de Mauá retorna à praça após três anos e cinco meses

De frente para a Baía de Guanabara e no início da Avenida Rio Branco, a obra do escultor brasileiro Rodolfo Bernardelli chegou à Praça Mauá em 1910. A nova coluna de 4,5 metros e quatro toneladas sustenta a estátua de bronze de 2,60 metros e 800 kg. Com o novo Passeio Público, e sem a Perimetral, ganha destaque com a proximidade do mar, 'olhando' para o Museu do Amanhã.

O responsável por retirar e devolver a estátua à Praça Mauá não herdou de seu pai apenas o nome Emilio Giannelli. O ofício de restaurador de monumentos e a função de cuidar do Barão vêm da família. Em 1962, Emilio Giannelli, o pai, retirou pela primeira vez a estátua para a passagem da Perimetral. Ela permaneceu em depósito da Prefeitura do Rio até 1978, quando os Giannelli, pai e filho, devolveram juntos o Barão ao lugar de origem. Hoje, mais de 30 anos depois, o filho Giannelli, de 44 anos, é o engenheiro responsável pela tarefa. "Foi um conhecimento que herdei de família. Hoje, pela terceira vez, trabalho com esta obra. É um material muito antigo e o processo de desmonte e realocação precisa de cuidado extremo", conta.

Imagem da década de 40 mostra monumento ao Barão de Mauá com a Avenida Rio Branco ao fundo

Jorge Caldeira, autor do livro "Mauá - Empresário do Império", explica que a estátua foi colocada na Praça Mauá pela importância do ponto, parada final da primeira ferrovia do Brasil construída por ele. "Ali, no dia da inauguração da ferrovia, ele recebeu o título de Barão de Mauá e, após sua morte, a praça foi renomeada em sua homenagem", descreve Caldeira. Segundo o historiador, além urbanizar grande trecho do que hoje é o centro da cidade, Irineu Evangelista de Souza trouxe iluminação, água canalizada e saneamento básico antes inexistentes por aqui. "Ele foi responsável por mais reformas urbanas que Pereira Passos", compara, em referência ao prefeito famoso por grandes obras na cidade no início do século XX.

Irineu nasceu no Rio Grande do Sul e morreu aos 75 anos em Petrópolis. Fundou a primeira ferrovia e o primeiro estaleiro do País, a Usina de Gás do Rio e o Canal do Mangue. Iniciou a exploração dos rios Amazonas (AM) e Guaíba (RS) com barcos a vapor, instalou a iluminação pública (a gás) no Rio e cabo submarino telegráfico entre a América do Sul e a Europa. Grande empreendedor, utilizou em suas empresas recursos e maquinários nos padrões adotados na Europa e nos Estados Unidos no período da Revolução Industrial. No começo do século XIX, defendia a abolição e foi um dos principais opositores do tráfico de africanos escravizados. Para o Barão, somente o comércio livre e trabalhadores libertos e com rendimentos poderiam alçar o Brasil a uma situação de prosperidade. Morreu em 1889, um ano após a Lei Áurea, em 1988. "Foi o maior empresário do século XIX. Talvez, mais que isso, o maior empreendedor brasileiro de todos os tempos", defende Caldeira.

Texto: Bruno Bartholini | Fotos: Pavel Loj e reprodução da internet