Sistema de coleta de lixo pioneiro na Região Portuária

Obras, Social | 03/08/2012

Moradores, comerciantes e usuários da Região Portuária são os primeiros a receber o novo sistema de coleta seletiva com armazenamento subterrâneo da cidade, o Coleta + Rio. A nova lógica de limpeza evita o contato direto com os resíduos, além de diminuir o mau cheiro e a proliferação de ratos e baratas, já que o lixo fica isolado em cubas sob a terra. O Coleta+Rio está dentro dos conceitos de sustentabilidade ao diminuir o uso de sacos plásticos e estimular a reciclagem. "O custo é inferior ao da coleta tradicional, mesmo com o investimento inicial em equipamento e instalação. A possibilidade de coleta mais espaçada e em menos dias durante a semana compensa o investimento inicial", explica Wanulsa Nunes, gerente de conservação e manutenção da Concessionaria Porto Novo.

Há um mês o primeiro contêiner está em operação na Avenida Barão de Tefé, ao lado do espaço de exposição Meu Porto Maravilha. O programa será implementado também nos morros da região após a conclusão das obras e respeitando as características geográficas de cada espaço. "Este novo sistema evita o entupimento e obstrução da rede de drenagem, os sacos não são rompidos inadequadamente ou ficam expostos. Com isso, haverá um estímulo natural à coleta seletiva, facilitando a reciclagem dos resíduos", defende Wanulsa.

Ela acredita na mudança de hábito gradual da população: "Será uma quebra de paradigma. Precisamos entender que somos a mudança. Se alterarmos nossa rotina para um processo mais seguro, ganharemos em melhoria da qualidade de vida". A Porto Novo desenvolve campanhas educativas para mostrar a importância da participação dos moradores na limpeza urbana, em parceria com associações de moradores e órgãos públicos. "Vamos oferecer capacitação e mais uma fonte de renda para pessoas trabalharem com a coleta seletiva. Serão menos resíduos em bueiros. O meio ambiente ganhará muito e nós mais ainda", completa.

Na primeira fase de operação, o modelo tradicional de recolhimento será mantido. Com o novo sistema, a coleta será feita apenas três vezes por semana e cada morador deverá ir até um ponto depositar seu lixo, diminuindo transtornos no trânsito pela ausência diária dos atuais caminhões de coleta. Aos poucos, serão substituídas as coletas diárias e reduzida a necessidade de garis passarem nas portas para recolher lixo residencial.

Por mês, a Porto Novo recolhe em média 1.100 toneladas de lixo das ruas e 1.500 toneladas de resíduos sólidos dos domicílios nos bairros do Porto Maravilha. O projeto piloto terá 42 coletores (21 para produtos orgânicos e outros 21 para recicláveis). Cada contentor tem capacidade de armazenamento de 3.000 litros de material (cada caçamba de lixo atual suporta somente 240 litros). Inicialmente, dois caminhões adaptados e com capacidade de transportar 15.000 litros de lixo farão a coleta. Os veículos são híbridos, utilizados tanto na coleta do Coleta+Rio como na coleta tradicional de caçambas.

Este projeto foi inspirado no modelo europeu da cidade de Portimão, em Portugal. Há cerca de 30 anos, portugueses sofriam com esgotamento das áreas de descarte e, atualmente, o programa atende de maneira eficiente a demanda. Similar ao projeto carioca, nas cidades europeias onde esse sistema já existe os bocais de lixo são conectados a um sistema de tubulação enterrado a 5 metros da superfície. Assim, são sugados para um centro de separação de resíduos.

Até o término das obras de reurbanização da Região Portuária, em 2015, todos os 5 milhões de metros quadrados do Porto Maravilha serão equipados com contêineres subterrâneos do Coleta+Rio. "Nosso cronograma prevê o término das escavações na área da fase 1 [entorno da Praça Mauá, avenidas Venezuela, Barão de Tefé, Rodrigues Alves e Morro da Conceição] no fim do mês de agosto. Em seguida, daremos início à instalação das papeleiras [lixeiras de poste] e negociação com a cooperativas para coleta dos resíduos recicláveis e secos. Somente após a conclusão dessas três etapas estaremos prontos para dar início à operação efetiva. A previsão é outubro", adianta Wanulsa.

Texto: Yara Lopes e Mariana Aimée