Puerto Madero e Porto Maravilha assinam convênio de colaboração

Obras, Social | 11/09/2012

A rivalidade entre Brasil e Argentina termina nos limites dos gramados dos campos de futebol. É crescente o número de parcerias, acordos comerciais, negócios e contratos entre os dois países. Com projeto de recuperação do antigo porto de Buenos Aires similar ao caso carioca, a Corporación Antiguo Puerto Madero S.A. (Capmsa) assinou convênio de colaboração com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), responsável pelo Porto Maravilha. Uma equipe de trabalho interdisciplinar definirá ações técnicas, políticas e administrativas para impulsionar o desenvolvimento de projetos e estudos sobre a organização dos territórios. Alfredo Máximo Garay, diretor da Capmsa, e Jorge Arraes, diretor-presidente da Cdurp, assinaram o convênio no dia 7 de novembro. Em entrevista ao Blog Porto Maravilha, Garay falou sobre a experiência de Puerto Madero e apontou semelhanças e diferenças entre as operações de Buenos Aires e Rio.

Garay aponta semelhanças e diferenças entre Puerto Madero e Porto Maravilha

A efetivação da operação urbana Porto Maravilha se deu com a aprovação da Lei 101/2009.

Como surgiu a Capmsa?

Criamos uma sociedade anônima de propriedade estatal que tem como missão a implementação de projetos urbanos que contribuam com o melhor desenvolvimento da cidade (La Corporación Antiguo Porto Madero S.A)). A União transferiu o terreno do porto a esta sociedade, formada metade pelo município e metade pelo governo nacional. Em 1989, o secretário de Planejamento de Buenos Aires iniciou a implementação de políticas para recuperação do Centro da cidade, voltadas à proteção ao patrimônio, reabilitação de cortiços e recuperação do antigo porto como área de expansão da área central.

Quais foram os primeiros passos para implementar o projeto?

Fizemos um concurso para projetos de restauro dos velhos galpões para o uso misto, com habitações e escritórios. Antes os galpões eram depósitos, obstáculos que separavam a cidade do rio. A sociedade anônima começou a comercializar o solo. Nesse momento, muitas coisas aconteceram e tínhamos que pensar em políticas que estimulassem a circulação de pessoas pela região.  Para isso, criamos equipamentos culturais. Também conseguimos mostrar aos investidores que era possível remodelar um antigo edifício e convertê-lo em habitação e espaço comercial.

O que chama atenção como diferença entre Puerto Madero e Porto Maravilha?

No Puerto Madero não existe a figura dos Cepacs [Certificados de Potencial Adicional de Construção] como no Porto Maravilha. Lá, com o dinheiro da venda dos antigos armazéns se investiu na revitalização do entorno. As empresas atuaram diretamente nos restauros e novas construções e também nas áreas do entorno.

Qual foi o resultado do Puerto Madero?

Passados 20 anos, construímos em mais de 2 milhões de metros quadrados, com investimento de 30 milhões de dólares em novas infraestruturas. Hoje o projeto do Porto Madero é reconhecido internacionalmente. Virou um dos pontos turísticos mais visitados de Buenos Aires.

Texto: Mariana Aimée e Yara Lopes / Fotos: Yara Lopes

09/11/2012