VLT: Sustentável, moderno e revolucionário. Carioca.

A mobilidade urbana é um dos grandes desafios para o Rio de Janeiro, a exemplo das demais grandes cidades brasileiras, resultado de urbanização que induziu cada vez mais a distância entre a moradia e o trabalho e do largo estímulo ao transporte individual somado a uma lógica em que os transportes públicos atuam como concorrentes entre si. A introdução do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) representa  mudança de rumo nessa lógica do transporte público no Rio.  Tem como principal função integrar os vários modais de transporte público que chegam ao Centro ao invés de se tornar mais um concorrente. 

Com seus 28 km de malha, interligará estações de metrô, Central do Brasil, Teleférico da Providência e Barcas, Aeroporto Santos Dumont, terminais de cruzeiros marítimos e de ônibus, incluindo a Rodoviária Novo Rio e o BRT Transbrasil para mudar substancialmente o deslocamento na área. Integrado ao Bilhete Único Carioca e ao Bilhete Único Metropolitano, quando todas as seis linhas estiverem em operação em 2016, a capacidade do sistema chegará a 285 mil passageiros por dia. O VLT complementa a Operação Urbana Porto Maravilha que tem dentre seus objetivos principais aumentar o número de habitantes na Região Portuária, caracterizada há décadas como vazio urbano. A ocupação dessa região aponta para uma cidade mais concentrada que aproveita melhor seus espaços.

Instalação de trilhos na Via Binário do Porto

Instalação de trilhos na Via Binário do Porto

Para sua implantação, a Prefeitura do Rio celebrou contrato parceria público-privada com a Concessionaria VLT Carioca. Um investimento de R$ 1,157 bilhão, sendo R$ 532 milhões com recursos federais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade e R$ 625 milhões da concessionária. As obras de infraestrutura tiveram início em 2014. Os equipamentos já estão contratados, e as primeiras composições serão entregues no segundo semestre de 2015. Cinco trens que circularão nas ruas da cidade estão em fase final de produção em La Rochelle, na França, e chegarão ao Brasil até o meio do ano. Outros 27 serão fabricados em solo brasileiro.

As seis linhas do VLT funcionarão 24 horas, sete dias por semana, para facilitar e mudar de forma radical o transporte de pessoas pela região central da cidade, agilizando o acesso às saídas para outras zonas do Rio. A distância média entre os pontos será de 300 metros. O tempo máximo de espera entre um trem e outro vai variar de 2,5 a 10 minutos, de acordo com a linha. O sistema que compreende 32 paradas ao longo da Região Portuária e do Centro entra em operação plena em 2016. O projeto prevê a entrega e operação de 32 trens de 3,82 metros de altura, 44 metros de comprimento por 2,65 metros de largura, com capacidade para 415 passageiros, a uma taxa de ocupação de 6 passageiros por metro quadrado em pé, mais 64 passageiros sentados e espaço para dois passageiros em cadeiras de rodas. O usuário poderá comprar tíquetes individuais em cada parada do sistema ou utilizar o bilhete único, passando o cartão na máquina que recebe os créditos.

Mapa do traçado do Veículo Leve sobre Trilhos no Centro e Região Portuária

Movido a energia elétrica, reduzindo significativamente a emissão de gases poluentes, o VLT obedece aos mais avançados padrões de sustentabilidade, acessibilidade e urbanismo. A ausência de catenárias - alimentação por redes aéreas - também constitui fator positivo por não gerar poluição visual, o que favorece a valorização do patrimônio arquitetônico das ruas e avenidas de seu percurso no centro histórico. Somado à introdução dos BRTs e aos investimentos na melhoria dos demais modais de transporte público, o VLT implantado no centro do Rio trará impacto positivo para toda a Região Metropolitana.  

Alberto Gomes Silva, 
Presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa da Prefeitura do Rio gestora do Porto Maravilha

Artigo publicado na Revista TCMRJ - Março de 2015 - nº 60